Não seria presunçoso pensar que o homem pode discutir os Decretos Eternos de Deus? Assim, não seria a tentativa de formular uma doutrina da Predestinação algo a ser condenado sem hesitação, mesmo tê-la iniciado?
A própria história da doutrina da Predestinação ensina-nos que com a questão dos Decretos Divinos adentramos a zona de perigo, na qual a fé pode sofrer severos danos e onde o pensamento teológico facilmente pode se perder no erro desastroso. Contudo, a tentativa não pode ser renunciada, não porque o testemunho da revelação nas Escrituras chama nossa atenção para isto, convida-nos à consideração teológica.
Quando Deus se revela, revela a eternidade: A Origem eterna e o Fim eterno, aquilo que “era” antes de toda história, e aquilo que será por trás, ou depois, de toda história, esta dupla eternidade, entre a qual se apóia nossa existência histórica terrena como uma ponte suspensa entre dois pilares, sustentada por elas como um balanço no ar sobre o abismo do Nada.
Jesus Cristo veio a fim de revelar esta eternidade, e para integrar nossa vida na dimensão desta dupla eternidade, para que nossa vida não se perdesse do nada. À parte deste fundamento na eternidade e deste alvo na eternidade, toda história da humanidade é um mero nada. Sem este firme fundamento em nossa Origem eterna, e sem o firme alvo na eternidade no fim dos tempos, o homem literalmente vive “por um dia”. Sua vida termina sobre a superfície do finito.
Não é apenas a fé cristã que coloca a vida humana – e a vida como um todo – na dimensão da eternidade. Isto também ocorre nas religiões não-cristãs. Mesmo a filosofia de Platão ensina que o homem busca e encontra sentido na eternidade. Onde a eternidade é concebida a partir do limite humano, não há evento decisivo, nem evento algum que nos une à eternidade, há meramente idéias que concebem o infinito, a verdade eterna, e em assim fazendo coloca em contraste o Infinito e o Eterno, como verdadeiro Ser, com aquilo que é simplesmente temporal e transitório. Eventos temporais com a qualidade de um “tempo de decisão” só existem onde a própria eternidade entrou no tempo, onde o Logos que se fez Homem se perde no temporal, sua origem e seu fim eterno, e faz disto o objetivo de sua decisão de fé. Só através desta revelação da eternidade nossa própria história adquire uma participação na eternidade.
Na revelação cristã da eternidade, porém, meus olhos estão abertos para perceber a verdade que Deus, Meu Senhor, me observa desde toda a eternidade, com olhar fixo do amor eterno, e, portanto, essa minha existência e vida pessoal individual agora recebem um sentido eterno. O chamado a mim dirigido por meio de Jesus Cristo desde a eternidade de Deus para a comunhão eterna com Ele – este é o Evangelho de Jesus Cristo. Como, então, não podemos não ver que esta mensagem da eleição é a mesma tal como as boas novas de “filiação” e do Reino de Deus?
Quão terrível e paralisante é todo discurso sobre Predestinação, sobre um decreto de Deus, pelo qual tudo que está para acontecer já foi estabelecido desde toda a eternidade.
Se tudo está predestinado pelo decreto Divino, como poderia qualquer corte de apelação ser responsável por este acontecimento senão Aquele que a tivesse predeterminado. Se tudo está predeterminado, o mal bem como o bem, a impiedade bem como a fé, o inferno bem como o céu, “ser perdido” bem como “ser salvo”, se é predeterminado, pelos decretos eternos de Deus, que não apenas o destino temporal, mas também o eterno, dos homens está determinado desigualmente, de maneira que alguns desde a eternidade, estão destinados à morte eterna e outros a vida eterna – é possível chamar o One que promulgou este decretum horrible de Pai amoroso de todos os homens? Se este decreto oculto de Deus está por trás da revelação de Jesus Cristo, que significado teria o chamado da fé, ao arrependimento, e a confiança agradecida? Esta doutrina não ameaça todo sentido da mensagem do amor de Deus, e a seriedade da decisão da fé?
Teólogos Reformados freqüentemente fazem uma distinção entre um decreto da Criação e um decreto da Eleição. O mundo existe porque Deus o deseja. O mundo é como é porque Deus o quer assim. Por isso é a expressão, a manifestação, a revelação, de Seu pensamento e vontade. Porque o pensamento, o pensamento de Deus, a sabedoria de Deus, está em sua fundação, nele existe uma ordem que pode ser claramente percebida. Eis o porquê é acessível ao conhecimento, por que tem um aspecto racional lógico. Para usar a linguagem dos antigos, é “compreensível a razão”. Mas porque foi criado pela livre vontade do Deus é “contingente”, não necessário. A idéia da contingentia mundi só veio a ser objeto para a filosofia através do Cristianismo.
Esta é a primeira grande diferença entre a teoria grega do cosmos e a doutrina cristã da Criação. Para o pensador filosófico grego o Cosmos não é apenas acessível à razão mas é racional, porque não foi criado por meio da vontade de Deus, mas porque procede, com infinita necessidade, do Logos Eterno.
A segunda diferença fundamental entre a idéia do Cosmos e a idéia da Criação está associada a uma idéia que à primeira vista parece ser um elemento comum para ambas: o Logos. O Cosmos está permeado pelo Logos, surge o Logos. Este Logos é o último, a pressuposição fundamental do pensamento. É o princípio necessário do pensamento necessário, por isso é o firme apoio para o todo da filosofia. Mas a idéia bíblica da Criação está baseada sobre um Logos diferente, sobre aquela Palavra que “estava no princípio”, sem a qual nada foi criado, e é idêntica com o Filho de Deus.
Nesta relação a verdade que já vimos adquire nova significância, que o mundo, é verdade, foi criado através do Filho, mas não pelo Filho, que foi criado nele e para Ele, mas Ele mesmo jamais é chamado de Criador. Agradou a Deus criar o mundo no Filho, por meio do filho, e para o filho.
A criação do mundo está associada ao decreto da Eleição pelo fato de que o mediador de ambos é o Filho, o Filho a quem Deus “amou antes da fundação do mundo”. Ele é o Filho-Logos, que, como o Encarnado, dá-nos tanto conhecimento da Eleição como o conhecimento de que o mundo foi criado pelo Filho, no Filho e para o Filho. A Criação está subordinada à Eleição, não está coordenada com ela nem superordenada acima dela. O caminho da verdade procede da revelação histórica à Eleição eterna, e só através dessa à Criação. Isto é de importância decisiva para a compreensão da própria Eleição.
A primeira verdade que a doutrina da eleição contém não é a eleição geral, um i”decretum generale”, como a fórmula dos teólogos está expressa em palavras – dubiamente – o qual é então seguido pelo “decretum speciale” da Eleição pessoal. Na bíblia, mais enfaticamente, este não é o sentido no qual a Eleição é mencionada. Pois, esta ordem de idéias está fundamentada na idéia errada da fé. No Novo Testamento fé não está direcionada a algo geral, mas a algo pessoal. Fé é o encontro entre eu, enquanto indivíduo, e Jesus Cristo; não é uma declaração geral, numa doutrina. O indivíduo é por Ele “resgatado do poder das trevas”, da ira de Deus, e é elevado ao plano da filiação, penetrando no background da eternidade; experimenta e ouve a palavra da Eleição eterna. O ser humano enquanto o “indivíduo que é chamado” possui sua relação direta com o Deus que “elege”, e com Sua vontade, da qual procede tudo mais. A verdade da Eleição não é o resultado de uma dedução de uma declaração geral; a fé é, e permanece – mesmo onde seu conteúdo seja a eleição eterna – uma relação direta, imediata, que é o exato oposto de uma teoria geral.
A fé possui este caráter por causa da sua origem. Só isto é o ponto de partida, para isto tudo deve ser submetido, se - em contraste com aquilo que os teólogos chamam de “predestinação” - queremos compreender o que a Bíblia pretende por Eleição.
A Eleição acontece por meio do fato de que o amor de Deus adentra a maldição que a humanidade pecadora trouxe sobre si. Na Cruz de Cristo esse “não obstante” do Amor Divino acontece, de modo que não é o pecador que é aniquilado, mas a maldição do pecado que separa o homem de Deus.
O Novo Testamento não contém um traço daquele todo complexo de problemas associados com a doutrina da Predestinação, lidando especialmente com a liberdade moral e com a responsabilidade. Assim os problemas tormentosos e insolúveis levantados por uma crença errônea – Predestinação – por exemplo, como podem co-existir pré-ordenação e liberdade, Predestinação e responsabilidade? - não só não constitui qualquer problema para o Novo Testamento, mas são considerados como verdades que são unidas natural e inseparavelmente.
Outra má compreensão sobre a doutrina da Eleição que deve ser abordada é sobre a questão: Quem elege e quem é eleito? Todas as vezes a resposta é Jesus Cristo.
Contudo, não podemos aceitar esta visão: que o Sujeito da Eleição Eterna é Jesus Cristo. Onde o Novo Testamento fala da eleição eterna do fiel em Jesus Cristo, o Sujeito da Eleição é somente, e sem exceção, Deus. Jesus Cristo é o Mediador da Eleição, como Ele é mediador da Criação. Nele, através Dele, mas não por Ele somos eleitos. Onde o Filho está, há eleição; mas onde o Filho não está não há eleição. Mas, o Filho só está presente onde há fé, por isso no Novo Testamento os “eleitos”, e apenas eles, são aqueles que crêem. Por causa só a fé é decisão na qual o prêmio é a salvação ou a ruína.
Casualidade - Existem alguns reformadores que entendem o homem como um mero objeto da Graça, e assim a fé simplesmente como obra da Graça divina. A relação pessoal entre Deus e o Homem se tornou uma relação casual: Deus a causa, a fé o efeito. O postulado foi declarado: Aquilo que conhecemos como fé é apenas o efeito da graça divina como causa, sem requerer qualquer adicional, quer a aplicação da idéia causal para a relação pessoal entre “Palavras de Deus e Fé” seja qualquer maneira permissível ou possível.
Esta visão errada da fé, porém, também afetou o entendimento da Eleição. Eleição, então, veio a ser “determinação”. Através da eleição eterna o homem está determinado, sua sorte foi fixada.
O Conceito de Eternidade – Tão devastador em seu efeito como a introdução da idéia da casualidade foi a introdução de uma idéia errada da Eternidade. A Eleição eterna foi entendida teoricamente como o veredicto de Deus pronunciado antes de todas as épocas, e em assim fazendo foi igualmente arrancado da esfera da relação pessoal.
A compreensão bíblica do Tempo está intimamente ligada à compreensão do pessoal. Portanto, é radicalmente diferente do conceito físico e metafísico do Tempo. Por isso, na verdade, Tempo não é simplesmente contrastado com Eternidade; tem em si mesmo uma parte na Eternidade.
Assim, a Eleição eterna é algo totalmente diferente de uma decisão que foi feita sobre nós, há muito tempo. A Eleição eterna é antes aquela que Jesus Cristo torna “Evento” no Templo. A Eleição eterna significa que a Palavra do Amor de deus que agora me alcança em Jesus Cristo, alcança-me fora da Eternidade, que decorre “antes” da minha existência, e minha decisão, como aquilo que a torna possível.
Outra má compreensão que deve ser descartada, é a doutrina de uma “dupla Predestinação”. Junto com a idéia de Eleição, nasceu ali, antes de tudo, a visão de que Aquele que elege distingue certos indivíduos de um dado número, e assim alcançamos a idéia de “seleção”. Mas esta idéia de seleção não deveria ser entendida pretender que Deus deseja estar assim restrito, ao receptador de Sua graça e Sua escolha. O “escolhido” é simplesmente o substrato da liberdade divina.
Com o passar do tempo, esta identidade do “ser eleito” e “fé”, que é óbvia no Novo Testamento, não foi entendida. Quando “fé” e “eleição” foram separadas da esfera “pessoal”; quando “fé” teve que vir a significar declaração doutrinária teórica, desde que fé não mais foi entendida como um encontro “Eu-Tu”, mas como “verdade” na terceira pessoa, esta correlação de eleição e fé foi quebrada, a conditionalis divinus que ela contém foi ignorada, e como substituto ali foi postulado um Numerus teórico. Foi neste ponto que a doutrina manifestou que “alguns” são eleitos desde toda a eternidade, e “outros” não.
terça-feira, 25 de janeiro de 2011
Usos & Costumes
Vestimenta
Algumas denominações dão um valor excessivo ao chamado Uso & Costume, a ponto de excluir do rol de membros irmãos que não se enquadram na visão dos seus fundadores ou teólogos. À luz da Bíblia é impossível afirmar que a mulher ou o homem não deve usar determinada vestimenta.
O homem no princípio de sua existência andava nu, Gn 2.25. As primeiras roupas que usou eram feitas de peles de animais, Gn 3.21. Subseqüentemente os materiais empregados no fabrico de vestimentas eram a lã, Gn 31.19; Lv 13.47; Jó 31.20, o linho, Ex 11.31; Lv 16.4, o linho fino, Gn 41.42, e finíssimo, Lc 16.19, a seda, Ez 14.10,13; Ap 18.12, o saco de cilício, Ap 6.12, e as peles de camelo, Mt 3.4.
As peças essenciais dos trajes do homem e da mulher eram duas: Uma túnica, espécie de camisa de mangas curtas, chegando até aos joelhos, Gn 37.3; 2Sm 13.18, às vezes tecida de alto a baixo e sem costura, Jo 19.23, 24, cingida por um cinto; eram iguais para ambos os sexos, a diferenciação estava no estilo e na forma de usá-las.
Outra peça consistindo em um manto, Rt 3.15; 1Rs 11.30; At 9.39, feito de um pano de forma quadrada, guarnecido de fitas, Nm 15.38; Mt 23.5. Punha-se sobre o ombro esquerdo, passando uma das extremidades por cima ou por baixo do braço direito.
A parte inferior do baixo manto chama-se orla, Ag 2.12; Zc 8.23. As vestes dos profetas eram de peles de ovelhas, ou de cabritos, 2Rs 1.8; Zc 3.4; Hb 11.37, e também de peles de camelo, Mt 3.4.
Outra peça de roupa era às vezes usada entre a túnica e a manta, por pessoas de distinção, e oficialmente pelo sumo sacerdote, Lv 8.7; 1Sm 2.19; 18.4; 24.4; 2Sm 13.18; 1Cr 15.27; Jó 1.20. Era uma veste comprida sem mangas, apertada na cinta. Os cintos serviam para facilitar os movimentos do corpo e eram feitos de couro, linhos crus ou finos, 2 Rs 1.8; Jr 13.1; Ez 16.10, muitas vezes bem elaborados com decorações artísticas, Ex 18.39; 39.29; Dn 2.5; Ap 1.13.
A espada era levada à cinta e o dinheiro também, Jz 3.16; 1Sm 25.13; Mt 10.9. Fora de casa traziam sandálias, sapato rudimentar, feitas com uma sola de madeira ou de couro, Ex 16.10, apertadas aos pés nus por meio de correias, passando pelo peito do pé e à roda dos artelhos, Gn 14.23; Is 5.27; At 12.8.
O povo comum andava com a cabeça descoberta. Às vezes traziam turbantes, Jó 29.14; Is 3.20; Ez 23.20. O véu era usado pelas mulheres em presença de pessoas estranhas, Gn 24.65; Ct 5.7, se bem que muitas vezes elas saíam com as faces descobertas, Gn 24.16; 26.8.
Os santos são sensíveis à voz do Espírito Santo e antes de usar determinadas vestes, procuram conhecer a vontade de Deus. Não é conveniente ao homem usar roupas sabidamente femininas.
As mulheres devem vestir-se com sabedoria visando apenas a edificação do próximo, jamais, despertar a sensualidade ou desejos lascivos. Vestes transparentes, decotes profundos, saias e blusas curtas, calças apertadas (justas) e toda a espécie de roupas que mostram ou marcam o corpo despertando a sensualidade devem ser rejeitadas. É preciso cuidado com os extremos, o uso de vestidos e saias cobrindo os tornozelos, blusas com mangas até os pulsos e golas à altura do pescoço; não é sinal de santidade, geralmente desperta a rejeição no próximo impedindo que exalemos o bom perfume de Cristo.
O uso de roupas de "marca" ou "etiqueta" de modo geral é um canal aberto para o devorador (são caríssimas) e que desperta no coração a vaidade. Basicamente, quem usa uma roupa de griffe o faz para que o próximo veja. A moda não é feita para o povo de Deus, que devem optar pela simplicidade de aços, a exemplo de nosso Senhor.
"Quero também que as mulheres sejam sensatas e usem roupas decentes e simples. Que elas se enfeitem, mas não com penteados complicados, nem com jóias de ouro ou de pérolas, nem com roupas caras! Que se enfeitem com boas ações, como devem fazer as mulheres que dizem que são dedicadas a Deus!" 1 Tm 2:9,10
Jóias e Maquiagem
O uso de jóias e bijuterias não é errado, no entanto, é preciso que sejam sensatos. Os servos de Deus não deve assemelhar-se à uma "perua". A ostentação é um pecado.
O uso de maquiagem não é condenado por Deus, no entanto, às mulheres precisam ser sensíveis ao Espírito e não optar por nada demasiadamente pesado. O equilibro se aplica também a esta área.
"Não procure ficar bonita usando enfeites, penteados exagerados, jóias ou vestidos caros." 1Pe 3.3
Finalizando, medite:
"Todas as coisas são lícitas, mas nem todas convêm; todas são lícitas, mas nem todas edificam. Ninguém busque o seu próprio interesse, e sim o de outrem." 1Co 10.23,24
Algumas denominações dão um valor excessivo ao chamado Uso & Costume, a ponto de excluir do rol de membros irmãos que não se enquadram na visão dos seus fundadores ou teólogos. À luz da Bíblia é impossível afirmar que a mulher ou o homem não deve usar determinada vestimenta.
O homem no princípio de sua existência andava nu, Gn 2.25. As primeiras roupas que usou eram feitas de peles de animais, Gn 3.21. Subseqüentemente os materiais empregados no fabrico de vestimentas eram a lã, Gn 31.19; Lv 13.47; Jó 31.20, o linho, Ex 11.31; Lv 16.4, o linho fino, Gn 41.42, e finíssimo, Lc 16.19, a seda, Ez 14.10,13; Ap 18.12, o saco de cilício, Ap 6.12, e as peles de camelo, Mt 3.4.
As peças essenciais dos trajes do homem e da mulher eram duas: Uma túnica, espécie de camisa de mangas curtas, chegando até aos joelhos, Gn 37.3; 2Sm 13.18, às vezes tecida de alto a baixo e sem costura, Jo 19.23, 24, cingida por um cinto; eram iguais para ambos os sexos, a diferenciação estava no estilo e na forma de usá-las.
Outra peça consistindo em um manto, Rt 3.15; 1Rs 11.30; At 9.39, feito de um pano de forma quadrada, guarnecido de fitas, Nm 15.38; Mt 23.5. Punha-se sobre o ombro esquerdo, passando uma das extremidades por cima ou por baixo do braço direito.
A parte inferior do baixo manto chama-se orla, Ag 2.12; Zc 8.23. As vestes dos profetas eram de peles de ovelhas, ou de cabritos, 2Rs 1.8; Zc 3.4; Hb 11.37, e também de peles de camelo, Mt 3.4.
Outra peça de roupa era às vezes usada entre a túnica e a manta, por pessoas de distinção, e oficialmente pelo sumo sacerdote, Lv 8.7; 1Sm 2.19; 18.4; 24.4; 2Sm 13.18; 1Cr 15.27; Jó 1.20. Era uma veste comprida sem mangas, apertada na cinta. Os cintos serviam para facilitar os movimentos do corpo e eram feitos de couro, linhos crus ou finos, 2 Rs 1.8; Jr 13.1; Ez 16.10, muitas vezes bem elaborados com decorações artísticas, Ex 18.39; 39.29; Dn 2.5; Ap 1.13.
A espada era levada à cinta e o dinheiro também, Jz 3.16; 1Sm 25.13; Mt 10.9. Fora de casa traziam sandálias, sapato rudimentar, feitas com uma sola de madeira ou de couro, Ex 16.10, apertadas aos pés nus por meio de correias, passando pelo peito do pé e à roda dos artelhos, Gn 14.23; Is 5.27; At 12.8.
O povo comum andava com a cabeça descoberta. Às vezes traziam turbantes, Jó 29.14; Is 3.20; Ez 23.20. O véu era usado pelas mulheres em presença de pessoas estranhas, Gn 24.65; Ct 5.7, se bem que muitas vezes elas saíam com as faces descobertas, Gn 24.16; 26.8.
Os santos são sensíveis à voz do Espírito Santo e antes de usar determinadas vestes, procuram conhecer a vontade de Deus. Não é conveniente ao homem usar roupas sabidamente femininas.
As mulheres devem vestir-se com sabedoria visando apenas a edificação do próximo, jamais, despertar a sensualidade ou desejos lascivos. Vestes transparentes, decotes profundos, saias e blusas curtas, calças apertadas (justas) e toda a espécie de roupas que mostram ou marcam o corpo despertando a sensualidade devem ser rejeitadas. É preciso cuidado com os extremos, o uso de vestidos e saias cobrindo os tornozelos, blusas com mangas até os pulsos e golas à altura do pescoço; não é sinal de santidade, geralmente desperta a rejeição no próximo impedindo que exalemos o bom perfume de Cristo.
O uso de roupas de "marca" ou "etiqueta" de modo geral é um canal aberto para o devorador (são caríssimas) e que desperta no coração a vaidade. Basicamente, quem usa uma roupa de griffe o faz para que o próximo veja. A moda não é feita para o povo de Deus, que devem optar pela simplicidade de aços, a exemplo de nosso Senhor.
"Quero também que as mulheres sejam sensatas e usem roupas decentes e simples. Que elas se enfeitem, mas não com penteados complicados, nem com jóias de ouro ou de pérolas, nem com roupas caras! Que se enfeitem com boas ações, como devem fazer as mulheres que dizem que são dedicadas a Deus!" 1 Tm 2:9,10
Jóias e Maquiagem
O uso de jóias e bijuterias não é errado, no entanto, é preciso que sejam sensatos. Os servos de Deus não deve assemelhar-se à uma "perua". A ostentação é um pecado.
O uso de maquiagem não é condenado por Deus, no entanto, às mulheres precisam ser sensíveis ao Espírito e não optar por nada demasiadamente pesado. O equilibro se aplica também a esta área.
"Não procure ficar bonita usando enfeites, penteados exagerados, jóias ou vestidos caros." 1Pe 3.3
Finalizando, medite:
"Todas as coisas são lícitas, mas nem todas convêm; todas são lícitas, mas nem todas edificam. Ninguém busque o seu próprio interesse, e sim o de outrem." 1Co 10.23,24
Calvino, Armínio ou a Bíblia?
Um dos principais debates entre teólogos e crentes em geral gira em torno da soberania de Deus, da predestinação e do livre-arbítrio.
É comum ouvir expoentes defendendo o calvinismo e o arminianismo como verdades absolutas, dando a entender que a Bíblia pode ser manipulada a bel-prazer, a fim de ajustar-se a um sistema de interpretação.
Uns preferem aderir à perigosa neutralidade: "Isso é uma questão de interpretação. A Bíblia apóia tanto um quanto o outro. Essa questão não deve nos dividir".
Entretanto, alguém (ou ambos?) com certeza está errado ou enganado nessa discussão, haja vista não podermos nos apegar à falaciosa idéia de que a Palavra de Deus pode ser interpretada segundo o que pensamos.
Quer dizer, então, que uns podem se simpatizar com Calvino; e outros, com Armínio, certo? Todas as passagens da Bíblia que contrariam a um e a outro podem ser adaptadas a um ou a outro sistema de interpretação, a fim de satisfazer a todos? Que engano! A Bíblia não se amolda à lógica e ao pensamento humanos. Ela é a Palavra de Deus! E é ela que deve nos guiar (Sl 119.105).
Tenho observado que, quando alguém discorda de um ou de outro sistema, automaticamente é tachado disso ou daquilo. “Ah, você não crê no calvinismo? Então você é arminiano?”, dizem. Ou vice-versa...
Mas é bom que paremos com isso e aceitemos as verdades da Palavra de Deus como elas são.
O que ensina o calvinismo?
Este sistema de interpretação — baseado na teologia de Calvino — prega a predestinação incondicional, teoria pela qual se defende cinco pontos principais:
Eleição incondicional. Deus teria escolhido certos indivíduos para a salvação, antes da fundação do mundo. Tais eleitos, de modo soberano, são conduzidos a uma aceitação voluntária a Cristo. Quanto aos não-eleitos, já estariam condenados ao sofrimento eterno desde o útero!
Expiação restrita. A obra expiatória de Cristo teria sido realizada apenas em prol de alguns eleitos, e não por toda a humanidade.
Graça irresistível. O calvinismo afirma que o Espírito Santo chama os eleitos internamente, em seus corações, e os leva à salvação. Tal chamado não estaria limitado ao livre-arbítrio; é o Espírito quem, pela graça, conduz o eleito a crer e se arrepender.
Incapacidade total. Em decorrência do pecado, o homem teria perdido a capacidade de crer no evangelho. Ele possui a faculdade da volição, o livre-arbítrio, porém a sua vontade não é livre, na prática, haja vista estar presa à sua natureza decaída.
Impossibilidade de perda da salvação. Todos os escolhidos por Deus, pelos quais Jesus teria morrido, estariam eternamente salvos, haja o que houver. Eles, por conseguinte, perseverarão até o fim, não por sua própria vontade, mas por obra do Espírito Santo em seus corações.
E o arminianismo, o que ensina?
Este sistema — baseado nas interpretações de Armínio — afirma que, apesar de o pecado ter afetado seriamente a natureza humana, o homem não foi deixado em um estado de total impotência espiritual. Para ele, a eleição de certos indivíduos baseia-se na presciência de Deus, conhecimento prévio de que os eleitos corresponderão ao seu chamado. Acreditava que a obra de Cristo não assegurou efetivamente a salvação de ninguém.
É claro que calvinismo e arminianismo têm razão em alguns pontos que defendem — talvez um tenha mais razão do que o outro. Entretanto, se você, caro internauta, está se firmando na teologia desses homens falíveis, receio que esteja em um terreno movediço. Se você tem travado longos debates (como tenho visto em comunidades do Orkut, em blogs, etc.) para defender o pensamento deles, esqueceu-se de que “... toda carne é como erva, e toda a glória do homem, como a flor da erva. Secou-se a erva, e caiu a sua flor; mas a palavra do Senhor permanece para sempre. E esta é a palavra que entre vós foi evangelizada” (1 Pe 1.24,25).
O que a Bíblia diz sobre a eleição para a salvação?
Segundo a Palavra de Deus, tal escolha foi, primeiramente, coletiva. Deus elegeu em Cristo o seu povo (Ef 1.4,5; 1 Pe 2.9). Daí Jesus ter dito: “... edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mt 16.18). Isso significa que o Corpo de Cristo foi escolhido antes da fundação do mundo.
Não houve uma eleição de uns indivíduos para a salvação e de outros para a perdição. E não venham me chamar de arminiano! Esta série de artigos é uma exposição do que está escrito nas páginas sagradas! Antes de me tacharem disso e daquilo, confiram o que a Bíblia diz à luz do contexto.
Então não existe eleição individual? Na verdade, o plano de salvação abrange todos os indivíduos que vão sendo incluídos na Igreja por meio da fé na obra de Cristo, como lemos em Atos 2.47: “... acrescentava-lhes o Senhor, dia a dia, os que iam sendo salvos” (ARA). A Igreja (como Corpo de Cristo) já foi eleita, porém ainda há lugar para mais pessoas, indivíduos, nesse Corpo: “... quem quiser tome de graça da água da vida” (Ap 22.17).
Jesus enfatizou que a eleição individual ocorre, mas para quem aceita o seu chamamento geral para a salvação (Mt 11.28-30). Ao afirmar que “... muitos são chamados, mas poucos, escolhidos”, Ele revelou que, das multidões que ouvem o evangelho, apenas uma parte o segue (Mt 22.14).
De acordo com Efésios 1.5, o Senhor “... nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade”. No entanto, quando os indivíduos se tornam efetivamente filhos de Deus e parte integrante do povo eleito? A resposta está em João 1.12: “... a todos quantos o receberam deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus: aos que crêem no seu nome”.
A Palavra de Deus menciona também uma eleição individual para o ministério. Ela nada tem que ver com a eleição geral para a salvação. Paulo afirmou que Deus o separou desde o ventre de sua mãe e o chamou pela sua graça (Gl 1.15). O mesmo aconteceu com Davi (Sl 22.10), Jeremias (1.5), Isaías (49.1) e João Batista (Lc 1.15). Contudo, essa escolha soberana do Senhor para o santo ministério não interfere em seu desejo de salvar a todos os seres humanos (1 Tm 2.4).
Essa eleição individual também não exclui o livre-arbítrio, uma vez que os homens de Deus mencionados podiam desobedecer à chamada divina. Paulo deixou claro isso ao contar o testemunho de sua conversão ao rei Agripa: “E, caindo nós todos por terra, ouvi uma voz que me falava e, em língua hebraica, dizia: Saulo, Saulo, por que me persegues? (...) Pelo que, ó rei Agripa, não fui desobediente à visão celestial” (At 26.14-19). E se o apóstolo tivesse desobedecido à visão?
Em Romanos 8.29,30, está escrito que Deus predestinou para a salvação aqueles que conheceu por antecipação. Mas, que o Senhor não conheceu antes da fundação do mundo? Todos nós fomos conhecidos quando ainda éramos pecadores (Rm 5.8). E, como veremos, à luz das Escrituras, Ele predestinou, em Cristo, toda a humanidade para a salvação (Rm 11.32; 6.23; 2 Pe 3.9). O Senhor não se vale de sua presciência para salvar ou condenar alguém. Ele sabia que Judas era “um diabo”; mesmo assim, chamou-o para fazer parte dos doze apóstolos (Jo 6.70).
Deus sempre soube o fim antes do começo (Is 46.10). Contudo, isso não significa que Ele tenha destinado de antemão uns à salvação e outros à perdição. A predestinação está relacionada com o plano redentor idealizado por Deus, o qual se estende a todos os seres humanos que crerem no Senhor Jesus (Jo 3.16).
Por sua presciência, Deus conhece os que o rejeitarão. Mesmo assim, não interfere, uma vez que dotou o ser humano de livre-arbítrio; Ele não viola esse princípio. Embora essa faculdade esteja grandemente prejudicada pelos efeitos deletérios do pecado, o homem tem, sim, como veremos, a capacidade de escolher entre o bem e o mal. Ele não é um ser autômato, um robô, um fantoche, mas um ser responsável por seus atos.
" Eu sou a porta;se alguem entrar por mim, Salvar-se-á".(Jo. 10:9).
Na terceira parte desta série que visa a enfatizar o que a Bíblia diz sobre eleição, predestinação e livre-arbítrio, procurarei responder a três perguntas, todas à luz da Palavra do Senhor e considerando não só o contexto imediato de cada passagem empregada, mas também o contexto remoto, abrangente, haja vista as Escrituras interpretarem e confirmarem as próprias Escrituras.
Deus é justo? Sim. Em Atos 10.34, vemos que Ele não faz acepção de pessoas. Abraão até ousou perguntar-lhe: “Não faria justiça o Juiz de toda a terra?” (Gn 18.25). O Justo Juiz, pois, negaria a sua justiça condenando indivíduos ao inferno antes da fundação do mundo?
No Areópago, em Atenas, Paulo anunciou que o Senhor deseja que toda a humanidade se arrependa, pois haverá um juízo para todos os homens (At 17.30,31). Isso significa que todas as pessoas estão predestinadas à salvação. Mas, para receber essa bênção, o homem precisa se arrepender dos seus pecados e crer que o único Mediador é Jesus Cristo (Mc 1.15; 1 Tm 2.5). O nosso Salvador “... quer que todos os homens se salvem e venham ao conhecimento da verdade” (1 Tm 2.4).
Ninguém pode negar que Jesus morreu por todos os seres humanos. Está escrito na Bíblia que Jesus “... é a propiciação pelos nossos pecados e não somente pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo” (1 Jo 2.2). E esse “todo o mundo” não é uma alusão a alguns privilegiados eleitos. Não! Deus, em seu plano, desejou salvar a “todos os termos da terra” (Is 45.22). É pelo fato de Jesus ter morrido por todos (Hb 2.9) que o Espírito Santo convence o mundo, e não alguns escolhidos (Jo 16.8-11).
Se a teoria calvinista extremada da predestinação fosse verdadeira, não haveria necessidade de pregarmos o evangelho, visto que os não-eleitos jamais seriam salvos, mesmo que ouvissem as boas novas de salvação!
Entretanto, Jesus mandou pregar e ensinar a todos, em todo o mundo (At 1.8; Mt 28.19). Em Marcos 16.16, o Senhor afirmou: “... quem não crer será condenado”. Ele não teria dito isso se de fato tivesse ocorrido uma eleição incondicional e arbitrária antes que o mundo existisse.
Deus é amoroso? Sim. A Palavra do Senhor salienta que o seu amor é infinito e ilimitado (Jo 3.16; Rm 5.7,8). Jesus quer salvar os piores pecadores! Ele os vê como ovelhas que não têm Pastor (Mt 9.36). “Desejaria eu, de qualquer maneira a morte do ímpio? Diz o Senhor Jeová; não desejo, antes, que se converta dos seus caminhos e viva?” (Ez 18.23). Como poderia ter condenado de antemão aqueles a quem Ele mesmo deseja salvar?
Em João 6.51, a mensagem de Jesus foi ainda mais clara: “Eu sou o pão vivo que desceu do céu; se alguém comer desse pão, viverá para sempre; e o pão que eu der é a minha carne, que eu darei pela vida do mundo”. Observe: Jesus ofereceu-se em sacrifício pela vida do mundo. E, quando alguém crê nEle, recebe a vida eterna (Jo 3.36). A Palavra de Deus diz ainda: “... se um morreu por todos, logo, todos morreram” (2 Co 5.14).
Existe livre-arbítrio? Sim. Os seguidores do calvinismo extremista — um evangelho teologicocêntrico, e não biblicocêntrico — afirmam que o livre-arbítrio ficou praticamente sem efeito depois da entrada do pecado no mundo. Contudo, as Santas Escrituras mostram que Deus, em todas as épocas, antes e depois da entrada do pecado no mundo, respeitou as decisões humanas.
Nos dias de Moisés, Josué e Elias (muito tempo depois da Queda), vemos como Deus desejava que os homens fizessem escolhas: “... te tenho proposto a vida e a morte, a bênção e a maldição; escolhe, pois, a vida, para que vivas, tu e a tua semente”; “... escolhei hoje a quem sirvais...”; “Até quando coxeareis entre dois pensamentos? Se o Senhor é Deus, segui-o; e, se Baal, segui-o” (Dt 30.19; Js 24.15; 1 Rs 18.21).
Em Isaías 1.18, Deus convidou os pecadores a argüi-lo, a fim de que recebessem o perdão de seus mais terríveis pecados, porém deixou claro que respeitaria as suas decisões: “Se quiserdes, e ouvirdes, comereis o bem desta terra. Mas, se recusardes e fordes rebeldes, sereis devorados à espada, porque a boca do Senhor o disse” (Is 1.19,20). O salmista escolheu o caminho da verdade (Sl 119.30) e, sem duvidar, teve segurança para fazer este pedido a Deus: “Venha a tua mão socorrer-me, pois escolhi os teus preceitos” (v. 173).
Em Apocalipse 22.17, no último livro da Bíblia, a água da vida não é oferecida a alguns eleitos para a salvação. Não! Jesus a oferece a quem tem sede e quer tomá-la de graça! Aleluia! Outrossim, o Senhor se importa com aqueles que invocam o seu nome (At 2.21). Por isso, ao pregar a Palavra de Cristo na casa de Cornélio, Pedro afirmou: “A este dão testemunho todos os profetas, de que todos os que nele crêem receberão o perdão dos pecados pelo seu nome” (At 10.43).
"Homens de dura cerviz e incircuncisos de corações e ouvido, Vós sempre resistis ao Espirito Santo..." (At.7:51).
Uma das questões que geram mais debates entre calvinistas e arminianos gira em torno da graça de Deus para a salvação do ser humano. Seria ela irresistível? Teria o pecador como resisti-la?
Para os predestinalistas, posto que todos os "eleitos" já foram designados de antemão, a graça para eles é irresistível; não lhes pertence decidir se a receberão ou não. Quanto aos outros, já estão condenados antes da fundação do mundo. Mas o arminianismo contesta isso, embora valendo-se de alguns argumentos extremistas, supervalorizando a cooperação humana, e quase que invalidando e neutralizando a graça de Deus.
Nesta quarta parte, consideraremos, de maneira sucinta e objetiva, o que a Palavra de Deus diz sobre a ação graciosa do Espírito Santo ao convencer o pecador do pecado, da justiça e do juízo (Jo 16.8-11).
Segundo a Bíblia, não existe graça irresistível, pois o homem pode, sim, recusar-se a aceitar o chamamento do Senhor (Hb 3.12; 12.25; At 7.51; 13.46). As Escrituras afirmam que Deus está conosco enquanto estivermos com Ele; se o deixarmos, também nos deixará (2 Cr 15.2). Em Hebreus 3.15, está escrito: “Enquanto se diz: Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais o vosso coração, como na provocação”.
Mas ai daqueles que resistem à graça. Não serão condenados por estarem predestinados ao Inferno. Antes, serão lançados no Lago de Fogo por resistirem ao Espírito da graça: “De quanto maior castigo cuidais vós será julgado merecedor aquele que pisar o Filho de Deus, e tiver por profano o sangue do testamento, com que foi santificado, e fizer agravo ao Espírito da graça?” (Hb 10.29).
Os seguidores do calvinismo extremista se apegam a passagens isoladas, como João 6.37,44 e 10.29, para afirmar que apenas alguns eleitos são encaminhados pelo Pai a Jesus. Na verdade, tais passagens mostram, à luz do contexto, que até para aceitar a chamada para a salvação, o ser humano precisa de capacitação divina. É Deus quem concede a fé quando o pecador ouve a Palavra (Rm 10.17); e é Ele quem dá a possibilidade de arrependimento (At 11.18). A salvação é pela graça de Deus (Ef 2.8,9).
Não há méritos humanos na salvação. Ninguém pode se gloriar: “Eu sou salvo porque tive fé” ou “Sou regenerado porque eu me arrependi”. Deus pôs na alma humana três faculdades: sentimento, intelecto e vontade. Por elas o homem pode ouvir a mensagem do evangelho, sentir suas misérias e crer para a salvação (Rm 10.9,10; Lc 15.17-19). Em outras palavras, Deus indica o caminho (Jo 14.6) e provê os meios de o homem entrar por esse caminho. E cada indivíduo, de posse desses meios, escolhe entre a vida e a morte (Mt 7.13,14).
Na quinta parte desta série discorro sobre a segurança da salvação e examino o emblemático bordão “Uma vez salvo, salvo para sempre”.
Os que se apegam ao ultra-arminianismo entendem que a salvação é perdida por qualquer motivo, enquanto os hiper-calvinistas crêem na impossibilidade da perda de salvação. Ambos estão errados, à luz da Bíblia.
Esclareço que não sou arminiano, tampouco inimigo de Calvino. Uma das estratégias dos predestinalistas é dizer logo, apressadamente, acerca de quem se opõe às suas idéias: “Fulano é arminiano”, na tentativa de tirar dele a autoridade. Mas o que exponho neste artigo é o que está escrito na Bíblia. E o meu desejo é que todos reflitam à luz da Palavra de Deus, em vez de pensarem que eu quero convencê-los da “minha verdade”.
Bem, a despeito de não perdermos a nossa convição de vida eterna por qualquer motivo, a permanência consciente no pecado pode sim levar-nos à perda da salvação (Pv 29.1; Hb 10.29), uma vez que a segurança dela depende de nossa cooperação (1 Tm 4.16).
Está escrito na Bíblia: “Também vos notifico, irmãos, o evangelho que já vos tenho anunciado, o qual também recebestes e no qual também permaneceis; pelo qual também sois salvos, se o retiverdes tal como vo-lo tenho anunciado, se é que não crestes em vão” (1 Co 15.1,2). Observe como a manutenção da nossa certeza da salvação está condicionada à obediência ao evangelho verdadeiro (2 Co 11.3,4; Gl 1.8).
Em Mateus 23.37, Jesus disse: “Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas os que te são enviados! Quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintos debaixo das asas, e tu não quiseste!” Note que o Senhor Jesus quis ajuntar os filhos de Jerusalém, porém eles não quiseram que Ele assim o fizesse. Isso não é uma evidência de que o Senhor respeita a livre-vontade humana?
Como já vimos nesta série, nenhuma pessoa foi destinada de antemão à condenação (Is 50.2; Ez 18.32). A Bíblia menciona a possibilidade de alguém negar o Senhor que os resgatou (2 Pe 2.1) e perder a salvação: “Porquanto se, depois de terem escapado das corrupções do mundo, pelo conhecimento do Senhor e Salvador Jesus Cristo, forem outra vez envolvidos nelas e vencidos, tornou-se-lhes o último estado pior do que o primeiro” (v.20).
Isso significa que as pessoas resgatadas, isto é, compradas, purificadas pelo sangue de Jesus, justificadas, regeneradas, santificadas e libertas, se não guardarem o que têm recebido do Senhor, serão condenadas! Veja: “... melhor lhes fora não conhecerem o caminho da justiça, do que, conhecendo-o, desviarem-se do santo mandamento que lhes fora dado” (2 Pe 2.21). Se tais pessoas nunca foram salvas de fato, como isso pode ser dito acerca delas? Como seriam culpadas do seu desvio, se desde o iníncio estavam destinadas à perdição, como afirmam os predestinalistas?
Aos que se desviam da verdade o Senhor dá tempo para que se arrependam (Ap 2.20,21). Alguns salvos em Cristo, resgatados, infelizmente têm apostatado da fé, “... dando ouvidos a espíritos enganadores e a doutrinas de demônios” (1 Tm 4.1). E não pense que esse texto se refere aos ímpios. Não! Pois eles não têm de que apostatar! Segue-se que os eleitos podem perder a salvação se não permanecerem em Cristo!
Não é isso que vemos, ao estudar sobre as igrejas da Ásia? Os conselhos para aquelas igrejas abrangeram dois aspectos: arrependimento e manutenção da posição em Cristo. A ordem “Arrepende-te” foi transmitida à maioria (Ap 2.5,16; 3.3,19). Para as outras, o Senhor disse que deveriam guardar, reter, conservar o que tinham, até à morte, para que não perdessem a coroa (Ap 2.10,25; 3.11). O crente que se acomoda, pensando estar salvo para sempre, está iludido e dormindo espiritualmente.
O pastor da igreja em Sardes estava morto — e não sabia! — e precisava tomar uma posição diante do Senhor (Ap 3.1). Conquanto o Senhor Jesus tenha feito a sua parte, ao nos resgatar, temos de operar ou desenvolver a nossa salvação (Fp 2.12; Ef 2.10; Hb 6.9). Em 2 Timóteo 2.10, está escrito: “... tudo sofro por amor dos escolhidos, para que também alcancem a salvação que está em Cristo Jesus com glória eterna”.
Quando Paulo navegava como prisioneiro para a Itália, houve uma grande tempestade no mar (At 27.18-20). Deus, então, enviou um anjo para dizer-lhe que todos escapariam vivos. E Paulo transmitiu a mensagem aos que estavam no navio, estabelecendo uma condição: permanecer na embarcação (vv. 22-31). Conclusão: “E assim aconteceu que todos chegaram à terra, a salvo” (v. 44).
Da mesma forma, quando o pecado entrou no mundo, todos os homens foram nivelados ao estado de pecadores (Rm 3.23; 5.12). Deus podia ter posto fim ao “projeto homem”, porém já tinha um plano redentor: “... encerrou a todos debaixo da desobediência, para com todos usar de misericórdia” (Rm 11.32). Ele colocou à disposição de toda a humanidade o “navio da salvação”. Quem entrar nesse navio e permanecer nele até ao fim chegará ao “porto da salvação” (Hb 3.6).
Quem quiser pode “navegar” em outras “embarcações” ou “canoas furadas”. Contudo, é melhor permanecer no “navio da salvação”, em Cristo, pois a segurança da salvação é para quem nEle permanecer (Jo 10.28). Ninguém pode arrebatar, raptar, o crente da mão de Jesus, a menos que o próprio crente negue a sua fé, seguindo a falsos doutores (2 Tm 4.1-5).
Confiar cegamente na segurança da salvação é agir como as pessoas que embarcaram no Titanic. Achavam que o navio jamais afundaria... Que engano! Em 2 Coríntios 1.13, está escrito: “Porque nenhumas outras coisas vos escrevemos, senão as que já sabeis ou também reconheceis; e espero que também até ao fim as reconhecereis”. Vigiemos, pois, para que não soframos um “naufrágio na fé” (1 Tm 1.19). Atentemos para a advertência da Palavra de Deus, que diz: “Aquele, pois, que cuida estar em pé, olhe não caia” (1 Co 10.12).
Fomos transportados das trevas para a luz; e da morte para a vida (1 Pe 2.9; Jo 5.24). Contudo, se negarmos o Senhor, Ele também nos negará (2 Tm 2.12; Mt 10.32,33). Os nossos nomes estão registrados no livro da vida, mas isso não autentica a máxima predestinalista: “Uma vez salvo, salvo para sempre”. A Palavra de Deus afirma: “O que vencer será vestido de vestes brancas, e de maneira nenhuma riscarei o seu nome do livro da vida...” (Ap 3.5). Ou seja, Jesus não riscará o nome de quem vencer!
É comum ouvir expoentes defendendo o calvinismo e o arminianismo como verdades absolutas, dando a entender que a Bíblia pode ser manipulada a bel-prazer, a fim de ajustar-se a um sistema de interpretação.
Uns preferem aderir à perigosa neutralidade: "Isso é uma questão de interpretação. A Bíblia apóia tanto um quanto o outro. Essa questão não deve nos dividir".
Entretanto, alguém (ou ambos?) com certeza está errado ou enganado nessa discussão, haja vista não podermos nos apegar à falaciosa idéia de que a Palavra de Deus pode ser interpretada segundo o que pensamos.
Quer dizer, então, que uns podem se simpatizar com Calvino; e outros, com Armínio, certo? Todas as passagens da Bíblia que contrariam a um e a outro podem ser adaptadas a um ou a outro sistema de interpretação, a fim de satisfazer a todos? Que engano! A Bíblia não se amolda à lógica e ao pensamento humanos. Ela é a Palavra de Deus! E é ela que deve nos guiar (Sl 119.105).
Tenho observado que, quando alguém discorda de um ou de outro sistema, automaticamente é tachado disso ou daquilo. “Ah, você não crê no calvinismo? Então você é arminiano?”, dizem. Ou vice-versa...
Mas é bom que paremos com isso e aceitemos as verdades da Palavra de Deus como elas são.
O que ensina o calvinismo?
Este sistema de interpretação — baseado na teologia de Calvino — prega a predestinação incondicional, teoria pela qual se defende cinco pontos principais:
Eleição incondicional. Deus teria escolhido certos indivíduos para a salvação, antes da fundação do mundo. Tais eleitos, de modo soberano, são conduzidos a uma aceitação voluntária a Cristo. Quanto aos não-eleitos, já estariam condenados ao sofrimento eterno desde o útero!
Expiação restrita. A obra expiatória de Cristo teria sido realizada apenas em prol de alguns eleitos, e não por toda a humanidade.
Graça irresistível. O calvinismo afirma que o Espírito Santo chama os eleitos internamente, em seus corações, e os leva à salvação. Tal chamado não estaria limitado ao livre-arbítrio; é o Espírito quem, pela graça, conduz o eleito a crer e se arrepender.
Incapacidade total. Em decorrência do pecado, o homem teria perdido a capacidade de crer no evangelho. Ele possui a faculdade da volição, o livre-arbítrio, porém a sua vontade não é livre, na prática, haja vista estar presa à sua natureza decaída.
Impossibilidade de perda da salvação. Todos os escolhidos por Deus, pelos quais Jesus teria morrido, estariam eternamente salvos, haja o que houver. Eles, por conseguinte, perseverarão até o fim, não por sua própria vontade, mas por obra do Espírito Santo em seus corações.
E o arminianismo, o que ensina?
Este sistema — baseado nas interpretações de Armínio — afirma que, apesar de o pecado ter afetado seriamente a natureza humana, o homem não foi deixado em um estado de total impotência espiritual. Para ele, a eleição de certos indivíduos baseia-se na presciência de Deus, conhecimento prévio de que os eleitos corresponderão ao seu chamado. Acreditava que a obra de Cristo não assegurou efetivamente a salvação de ninguém.
É claro que calvinismo e arminianismo têm razão em alguns pontos que defendem — talvez um tenha mais razão do que o outro. Entretanto, se você, caro internauta, está se firmando na teologia desses homens falíveis, receio que esteja em um terreno movediço. Se você tem travado longos debates (como tenho visto em comunidades do Orkut, em blogs, etc.) para defender o pensamento deles, esqueceu-se de que “... toda carne é como erva, e toda a glória do homem, como a flor da erva. Secou-se a erva, e caiu a sua flor; mas a palavra do Senhor permanece para sempre. E esta é a palavra que entre vós foi evangelizada” (1 Pe 1.24,25).
O que a Bíblia diz sobre a eleição para a salvação?
Segundo a Palavra de Deus, tal escolha foi, primeiramente, coletiva. Deus elegeu em Cristo o seu povo (Ef 1.4,5; 1 Pe 2.9). Daí Jesus ter dito: “... edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mt 16.18). Isso significa que o Corpo de Cristo foi escolhido antes da fundação do mundo.
Não houve uma eleição de uns indivíduos para a salvação e de outros para a perdição. E não venham me chamar de arminiano! Esta série de artigos é uma exposição do que está escrito nas páginas sagradas! Antes de me tacharem disso e daquilo, confiram o que a Bíblia diz à luz do contexto.
Então não existe eleição individual? Na verdade, o plano de salvação abrange todos os indivíduos que vão sendo incluídos na Igreja por meio da fé na obra de Cristo, como lemos em Atos 2.47: “... acrescentava-lhes o Senhor, dia a dia, os que iam sendo salvos” (ARA). A Igreja (como Corpo de Cristo) já foi eleita, porém ainda há lugar para mais pessoas, indivíduos, nesse Corpo: “... quem quiser tome de graça da água da vida” (Ap 22.17).
Jesus enfatizou que a eleição individual ocorre, mas para quem aceita o seu chamamento geral para a salvação (Mt 11.28-30). Ao afirmar que “... muitos são chamados, mas poucos, escolhidos”, Ele revelou que, das multidões que ouvem o evangelho, apenas uma parte o segue (Mt 22.14).
De acordo com Efésios 1.5, o Senhor “... nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade”. No entanto, quando os indivíduos se tornam efetivamente filhos de Deus e parte integrante do povo eleito? A resposta está em João 1.12: “... a todos quantos o receberam deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus: aos que crêem no seu nome”.
A Palavra de Deus menciona também uma eleição individual para o ministério. Ela nada tem que ver com a eleição geral para a salvação. Paulo afirmou que Deus o separou desde o ventre de sua mãe e o chamou pela sua graça (Gl 1.15). O mesmo aconteceu com Davi (Sl 22.10), Jeremias (1.5), Isaías (49.1) e João Batista (Lc 1.15). Contudo, essa escolha soberana do Senhor para o santo ministério não interfere em seu desejo de salvar a todos os seres humanos (1 Tm 2.4).
Essa eleição individual também não exclui o livre-arbítrio, uma vez que os homens de Deus mencionados podiam desobedecer à chamada divina. Paulo deixou claro isso ao contar o testemunho de sua conversão ao rei Agripa: “E, caindo nós todos por terra, ouvi uma voz que me falava e, em língua hebraica, dizia: Saulo, Saulo, por que me persegues? (...) Pelo que, ó rei Agripa, não fui desobediente à visão celestial” (At 26.14-19). E se o apóstolo tivesse desobedecido à visão?
Em Romanos 8.29,30, está escrito que Deus predestinou para a salvação aqueles que conheceu por antecipação. Mas, que o Senhor não conheceu antes da fundação do mundo? Todos nós fomos conhecidos quando ainda éramos pecadores (Rm 5.8). E, como veremos, à luz das Escrituras, Ele predestinou, em Cristo, toda a humanidade para a salvação (Rm 11.32; 6.23; 2 Pe 3.9). O Senhor não se vale de sua presciência para salvar ou condenar alguém. Ele sabia que Judas era “um diabo”; mesmo assim, chamou-o para fazer parte dos doze apóstolos (Jo 6.70).
Deus sempre soube o fim antes do começo (Is 46.10). Contudo, isso não significa que Ele tenha destinado de antemão uns à salvação e outros à perdição. A predestinação está relacionada com o plano redentor idealizado por Deus, o qual se estende a todos os seres humanos que crerem no Senhor Jesus (Jo 3.16).
Por sua presciência, Deus conhece os que o rejeitarão. Mesmo assim, não interfere, uma vez que dotou o ser humano de livre-arbítrio; Ele não viola esse princípio. Embora essa faculdade esteja grandemente prejudicada pelos efeitos deletérios do pecado, o homem tem, sim, como veremos, a capacidade de escolher entre o bem e o mal. Ele não é um ser autômato, um robô, um fantoche, mas um ser responsável por seus atos.
" Eu sou a porta;se alguem entrar por mim, Salvar-se-á".(Jo. 10:9).
Na terceira parte desta série que visa a enfatizar o que a Bíblia diz sobre eleição, predestinação e livre-arbítrio, procurarei responder a três perguntas, todas à luz da Palavra do Senhor e considerando não só o contexto imediato de cada passagem empregada, mas também o contexto remoto, abrangente, haja vista as Escrituras interpretarem e confirmarem as próprias Escrituras.
Deus é justo? Sim. Em Atos 10.34, vemos que Ele não faz acepção de pessoas. Abraão até ousou perguntar-lhe: “Não faria justiça o Juiz de toda a terra?” (Gn 18.25). O Justo Juiz, pois, negaria a sua justiça condenando indivíduos ao inferno antes da fundação do mundo?
No Areópago, em Atenas, Paulo anunciou que o Senhor deseja que toda a humanidade se arrependa, pois haverá um juízo para todos os homens (At 17.30,31). Isso significa que todas as pessoas estão predestinadas à salvação. Mas, para receber essa bênção, o homem precisa se arrepender dos seus pecados e crer que o único Mediador é Jesus Cristo (Mc 1.15; 1 Tm 2.5). O nosso Salvador “... quer que todos os homens se salvem e venham ao conhecimento da verdade” (1 Tm 2.4).
Ninguém pode negar que Jesus morreu por todos os seres humanos. Está escrito na Bíblia que Jesus “... é a propiciação pelos nossos pecados e não somente pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo” (1 Jo 2.2). E esse “todo o mundo” não é uma alusão a alguns privilegiados eleitos. Não! Deus, em seu plano, desejou salvar a “todos os termos da terra” (Is 45.22). É pelo fato de Jesus ter morrido por todos (Hb 2.9) que o Espírito Santo convence o mundo, e não alguns escolhidos (Jo 16.8-11).
Se a teoria calvinista extremada da predestinação fosse verdadeira, não haveria necessidade de pregarmos o evangelho, visto que os não-eleitos jamais seriam salvos, mesmo que ouvissem as boas novas de salvação!
Entretanto, Jesus mandou pregar e ensinar a todos, em todo o mundo (At 1.8; Mt 28.19). Em Marcos 16.16, o Senhor afirmou: “... quem não crer será condenado”. Ele não teria dito isso se de fato tivesse ocorrido uma eleição incondicional e arbitrária antes que o mundo existisse.
Deus é amoroso? Sim. A Palavra do Senhor salienta que o seu amor é infinito e ilimitado (Jo 3.16; Rm 5.7,8). Jesus quer salvar os piores pecadores! Ele os vê como ovelhas que não têm Pastor (Mt 9.36). “Desejaria eu, de qualquer maneira a morte do ímpio? Diz o Senhor Jeová; não desejo, antes, que se converta dos seus caminhos e viva?” (Ez 18.23). Como poderia ter condenado de antemão aqueles a quem Ele mesmo deseja salvar?
Em João 6.51, a mensagem de Jesus foi ainda mais clara: “Eu sou o pão vivo que desceu do céu; se alguém comer desse pão, viverá para sempre; e o pão que eu der é a minha carne, que eu darei pela vida do mundo”. Observe: Jesus ofereceu-se em sacrifício pela vida do mundo. E, quando alguém crê nEle, recebe a vida eterna (Jo 3.36). A Palavra de Deus diz ainda: “... se um morreu por todos, logo, todos morreram” (2 Co 5.14).
Existe livre-arbítrio? Sim. Os seguidores do calvinismo extremista — um evangelho teologicocêntrico, e não biblicocêntrico — afirmam que o livre-arbítrio ficou praticamente sem efeito depois da entrada do pecado no mundo. Contudo, as Santas Escrituras mostram que Deus, em todas as épocas, antes e depois da entrada do pecado no mundo, respeitou as decisões humanas.
Nos dias de Moisés, Josué e Elias (muito tempo depois da Queda), vemos como Deus desejava que os homens fizessem escolhas: “... te tenho proposto a vida e a morte, a bênção e a maldição; escolhe, pois, a vida, para que vivas, tu e a tua semente”; “... escolhei hoje a quem sirvais...”; “Até quando coxeareis entre dois pensamentos? Se o Senhor é Deus, segui-o; e, se Baal, segui-o” (Dt 30.19; Js 24.15; 1 Rs 18.21).
Em Isaías 1.18, Deus convidou os pecadores a argüi-lo, a fim de que recebessem o perdão de seus mais terríveis pecados, porém deixou claro que respeitaria as suas decisões: “Se quiserdes, e ouvirdes, comereis o bem desta terra. Mas, se recusardes e fordes rebeldes, sereis devorados à espada, porque a boca do Senhor o disse” (Is 1.19,20). O salmista escolheu o caminho da verdade (Sl 119.30) e, sem duvidar, teve segurança para fazer este pedido a Deus: “Venha a tua mão socorrer-me, pois escolhi os teus preceitos” (v. 173).
Em Apocalipse 22.17, no último livro da Bíblia, a água da vida não é oferecida a alguns eleitos para a salvação. Não! Jesus a oferece a quem tem sede e quer tomá-la de graça! Aleluia! Outrossim, o Senhor se importa com aqueles que invocam o seu nome (At 2.21). Por isso, ao pregar a Palavra de Cristo na casa de Cornélio, Pedro afirmou: “A este dão testemunho todos os profetas, de que todos os que nele crêem receberão o perdão dos pecados pelo seu nome” (At 10.43).
"Homens de dura cerviz e incircuncisos de corações e ouvido, Vós sempre resistis ao Espirito Santo..." (At.7:51).
Uma das questões que geram mais debates entre calvinistas e arminianos gira em torno da graça de Deus para a salvação do ser humano. Seria ela irresistível? Teria o pecador como resisti-la?
Para os predestinalistas, posto que todos os "eleitos" já foram designados de antemão, a graça para eles é irresistível; não lhes pertence decidir se a receberão ou não. Quanto aos outros, já estão condenados antes da fundação do mundo. Mas o arminianismo contesta isso, embora valendo-se de alguns argumentos extremistas, supervalorizando a cooperação humana, e quase que invalidando e neutralizando a graça de Deus.
Nesta quarta parte, consideraremos, de maneira sucinta e objetiva, o que a Palavra de Deus diz sobre a ação graciosa do Espírito Santo ao convencer o pecador do pecado, da justiça e do juízo (Jo 16.8-11).
Segundo a Bíblia, não existe graça irresistível, pois o homem pode, sim, recusar-se a aceitar o chamamento do Senhor (Hb 3.12; 12.25; At 7.51; 13.46). As Escrituras afirmam que Deus está conosco enquanto estivermos com Ele; se o deixarmos, também nos deixará (2 Cr 15.2). Em Hebreus 3.15, está escrito: “Enquanto se diz: Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais o vosso coração, como na provocação”.
Mas ai daqueles que resistem à graça. Não serão condenados por estarem predestinados ao Inferno. Antes, serão lançados no Lago de Fogo por resistirem ao Espírito da graça: “De quanto maior castigo cuidais vós será julgado merecedor aquele que pisar o Filho de Deus, e tiver por profano o sangue do testamento, com que foi santificado, e fizer agravo ao Espírito da graça?” (Hb 10.29).
Os seguidores do calvinismo extremista se apegam a passagens isoladas, como João 6.37,44 e 10.29, para afirmar que apenas alguns eleitos são encaminhados pelo Pai a Jesus. Na verdade, tais passagens mostram, à luz do contexto, que até para aceitar a chamada para a salvação, o ser humano precisa de capacitação divina. É Deus quem concede a fé quando o pecador ouve a Palavra (Rm 10.17); e é Ele quem dá a possibilidade de arrependimento (At 11.18). A salvação é pela graça de Deus (Ef 2.8,9).
Não há méritos humanos na salvação. Ninguém pode se gloriar: “Eu sou salvo porque tive fé” ou “Sou regenerado porque eu me arrependi”. Deus pôs na alma humana três faculdades: sentimento, intelecto e vontade. Por elas o homem pode ouvir a mensagem do evangelho, sentir suas misérias e crer para a salvação (Rm 10.9,10; Lc 15.17-19). Em outras palavras, Deus indica o caminho (Jo 14.6) e provê os meios de o homem entrar por esse caminho. E cada indivíduo, de posse desses meios, escolhe entre a vida e a morte (Mt 7.13,14).
Na quinta parte desta série discorro sobre a segurança da salvação e examino o emblemático bordão “Uma vez salvo, salvo para sempre”.
Os que se apegam ao ultra-arminianismo entendem que a salvação é perdida por qualquer motivo, enquanto os hiper-calvinistas crêem na impossibilidade da perda de salvação. Ambos estão errados, à luz da Bíblia.
Esclareço que não sou arminiano, tampouco inimigo de Calvino. Uma das estratégias dos predestinalistas é dizer logo, apressadamente, acerca de quem se opõe às suas idéias: “Fulano é arminiano”, na tentativa de tirar dele a autoridade. Mas o que exponho neste artigo é o que está escrito na Bíblia. E o meu desejo é que todos reflitam à luz da Palavra de Deus, em vez de pensarem que eu quero convencê-los da “minha verdade”.
Bem, a despeito de não perdermos a nossa convição de vida eterna por qualquer motivo, a permanência consciente no pecado pode sim levar-nos à perda da salvação (Pv 29.1; Hb 10.29), uma vez que a segurança dela depende de nossa cooperação (1 Tm 4.16).
Está escrito na Bíblia: “Também vos notifico, irmãos, o evangelho que já vos tenho anunciado, o qual também recebestes e no qual também permaneceis; pelo qual também sois salvos, se o retiverdes tal como vo-lo tenho anunciado, se é que não crestes em vão” (1 Co 15.1,2). Observe como a manutenção da nossa certeza da salvação está condicionada à obediência ao evangelho verdadeiro (2 Co 11.3,4; Gl 1.8).
Em Mateus 23.37, Jesus disse: “Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas os que te são enviados! Quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintos debaixo das asas, e tu não quiseste!” Note que o Senhor Jesus quis ajuntar os filhos de Jerusalém, porém eles não quiseram que Ele assim o fizesse. Isso não é uma evidência de que o Senhor respeita a livre-vontade humana?
Como já vimos nesta série, nenhuma pessoa foi destinada de antemão à condenação (Is 50.2; Ez 18.32). A Bíblia menciona a possibilidade de alguém negar o Senhor que os resgatou (2 Pe 2.1) e perder a salvação: “Porquanto se, depois de terem escapado das corrupções do mundo, pelo conhecimento do Senhor e Salvador Jesus Cristo, forem outra vez envolvidos nelas e vencidos, tornou-se-lhes o último estado pior do que o primeiro” (v.20).
Isso significa que as pessoas resgatadas, isto é, compradas, purificadas pelo sangue de Jesus, justificadas, regeneradas, santificadas e libertas, se não guardarem o que têm recebido do Senhor, serão condenadas! Veja: “... melhor lhes fora não conhecerem o caminho da justiça, do que, conhecendo-o, desviarem-se do santo mandamento que lhes fora dado” (2 Pe 2.21). Se tais pessoas nunca foram salvas de fato, como isso pode ser dito acerca delas? Como seriam culpadas do seu desvio, se desde o iníncio estavam destinadas à perdição, como afirmam os predestinalistas?
Aos que se desviam da verdade o Senhor dá tempo para que se arrependam (Ap 2.20,21). Alguns salvos em Cristo, resgatados, infelizmente têm apostatado da fé, “... dando ouvidos a espíritos enganadores e a doutrinas de demônios” (1 Tm 4.1). E não pense que esse texto se refere aos ímpios. Não! Pois eles não têm de que apostatar! Segue-se que os eleitos podem perder a salvação se não permanecerem em Cristo!
Não é isso que vemos, ao estudar sobre as igrejas da Ásia? Os conselhos para aquelas igrejas abrangeram dois aspectos: arrependimento e manutenção da posição em Cristo. A ordem “Arrepende-te” foi transmitida à maioria (Ap 2.5,16; 3.3,19). Para as outras, o Senhor disse que deveriam guardar, reter, conservar o que tinham, até à morte, para que não perdessem a coroa (Ap 2.10,25; 3.11). O crente que se acomoda, pensando estar salvo para sempre, está iludido e dormindo espiritualmente.
O pastor da igreja em Sardes estava morto — e não sabia! — e precisava tomar uma posição diante do Senhor (Ap 3.1). Conquanto o Senhor Jesus tenha feito a sua parte, ao nos resgatar, temos de operar ou desenvolver a nossa salvação (Fp 2.12; Ef 2.10; Hb 6.9). Em 2 Timóteo 2.10, está escrito: “... tudo sofro por amor dos escolhidos, para que também alcancem a salvação que está em Cristo Jesus com glória eterna”.
Quando Paulo navegava como prisioneiro para a Itália, houve uma grande tempestade no mar (At 27.18-20). Deus, então, enviou um anjo para dizer-lhe que todos escapariam vivos. E Paulo transmitiu a mensagem aos que estavam no navio, estabelecendo uma condição: permanecer na embarcação (vv. 22-31). Conclusão: “E assim aconteceu que todos chegaram à terra, a salvo” (v. 44).
Da mesma forma, quando o pecado entrou no mundo, todos os homens foram nivelados ao estado de pecadores (Rm 3.23; 5.12). Deus podia ter posto fim ao “projeto homem”, porém já tinha um plano redentor: “... encerrou a todos debaixo da desobediência, para com todos usar de misericórdia” (Rm 11.32). Ele colocou à disposição de toda a humanidade o “navio da salvação”. Quem entrar nesse navio e permanecer nele até ao fim chegará ao “porto da salvação” (Hb 3.6).
Quem quiser pode “navegar” em outras “embarcações” ou “canoas furadas”. Contudo, é melhor permanecer no “navio da salvação”, em Cristo, pois a segurança da salvação é para quem nEle permanecer (Jo 10.28). Ninguém pode arrebatar, raptar, o crente da mão de Jesus, a menos que o próprio crente negue a sua fé, seguindo a falsos doutores (2 Tm 4.1-5).
Confiar cegamente na segurança da salvação é agir como as pessoas que embarcaram no Titanic. Achavam que o navio jamais afundaria... Que engano! Em 2 Coríntios 1.13, está escrito: “Porque nenhumas outras coisas vos escrevemos, senão as que já sabeis ou também reconheceis; e espero que também até ao fim as reconhecereis”. Vigiemos, pois, para que não soframos um “naufrágio na fé” (1 Tm 1.19). Atentemos para a advertência da Palavra de Deus, que diz: “Aquele, pois, que cuida estar em pé, olhe não caia” (1 Co 10.12).
Fomos transportados das trevas para a luz; e da morte para a vida (1 Pe 2.9; Jo 5.24). Contudo, se negarmos o Senhor, Ele também nos negará (2 Tm 2.12; Mt 10.32,33). Os nossos nomes estão registrados no livro da vida, mas isso não autentica a máxima predestinalista: “Uma vez salvo, salvo para sempre”. A Palavra de Deus afirma: “O que vencer será vestido de vestes brancas, e de maneira nenhuma riscarei o seu nome do livro da vida...” (Ap 3.5). Ou seja, Jesus não riscará o nome de quem vencer!
sexta-feira, 21 de janeiro de 2011
Os Aguilhões na Vida de Paulo
A conversão de Saulo na estrada de Damasco é a conversão mais famosa da história da igreja. Nenhum homem exerceu tanta influência no cristianismo, nenhum homem foi tão notório na história da humanidade como Paulo. Após sua experiência marcante na estrada para Damasco, Paulo se tornou o maior evangelista, o maior missionário, o maior teólogo e o maior plantador de igrejas da história do cristianismo.
Lucas, fica tão impressionado com a importância dessa conversão, que a relata três vezes, uma vez, em sua própria narrativa, e duas nos discursos de Paulo (At 9, 22, 26).
Se perguntarmos o que causou a conversão de Saulo, só existe uma resposta possível. O que sobressai na narrativa é a graça soberana de Deus através de Jesus Cristo. Saulo não se “decidiu por Cristo”, como poderíamos dizer. Pelo contrário, ele estava perseguindo a Cristo. É melhor dizer que Cristo se decidiu por ele e interveio em sua vida.
Devemos nos lembrar que Lucas menciona Saulo como um feroz adversário de Cristo e sua igreja. Ele nos conta que, no martírio de Estevão, “as testemunhas deixaram suas vestes aos pés de um jovem chamado Saulo” (At 7.58), depois diz que “Saulo consentia na sua morte” (At 8.1) e que, em seguida, “Saulo assolava a igreja” (At 8.3), procurando cristãos casa por casa, arrastando homens e mulheres para a prisão. No texto de Atos 9.1, Lucas resume a história dizendo que Saulo estava “respirando ainda ameaças de morte contra os discípulos do Senhor”.
Quando atentamos para a riqueza e a profundidade das línguas originais ficamos perplexos, pois os termos que Lucas usa para se referir a Saulo antes da sua conversão parecem ser deliberadamente escolhidos para retratá-lo como “um animal selvagem e feroz”. O verbo “lymainomai”, cuja única ocorrência no N.T se encontra em Atos 8.3, em referência à “destruição” que Saulo causou à igreja, é empregado no Salmo 80.13 [na Septuaginta], em relação a animais selvagens destruindo uma vinha; o seu sentido específico é “destruição de um corpo por um animal selvagem”.
Mais tarde, os cristãos de Damasco o descreveram como aquele que tinha causado um “extermínio em Jerusalém” (At 9.21), onde o verbo empregado é “portheo”, que significa “destruir, assolar, espancar” que também aparece no texto de Gl 1.13. Continuando a mesma imagem, o erudito J.A. Alexander sugere que a menção de Saulo “respirando ameaças e morte” (At 9.1) era uma “alusão ao arfar e ao bufar dos animais selvagens”. Portanto era esse o homem (mais animal selvagem do que ser humano) que em poucos dias seria um cristão convertido e batizado.
No inicio eu disse que a resposta à conversão de Saulo foi a maravilhosa graça de Deus. Paulo sempre mencionou que Deus tomou a iniciativa de salvá-lo conforme sua vontade soberana (Gl 1.15,16). E além disso Paulo ilustrou essa verdade com pelo menos três imagens dramáticas.
Em primeiro lugar, Cristo o conquistou (Fp 3.12), o verbo “katalambano” dando a idéia que Cristo o “capturou” antes que tivesse a oportunidade de capturar algum cristão em Damasco.
Em segundo lugar, ele comparou sua iluminação interior com a ordem criadora “Haja luz” (Gn 1.3) ou “das trevas resplandecerá a luz” (II Co 4.6).
Em terceiro lugar, ele escreveu que a graça de Deus “transbordou” sobre ele, como um rio em época de cheia, inundando seu coração com fé e amor (I Tm 1.14). Assim a graça de Deus o capturou, iluminou seu coração e o inundou como uma enchente.
Agora devemos atentar para um fato importante – a conversão de Saulo não foi de maneira nenhuma uma conversão repentina. A intervenção de Deus foi repentina: “Subitamente uma luz do céu brilhou ao seu redor” (vs. 3). De acordo com a própria narrativa de Paulo, Jesus lhe disse: “Dura coisa é recalcitrares contra os aguilhões” (At 26.14). Jesus comparou Saulo a um touro jovem, forte e obstinado, e a si mesmo [Deus] a um fazendeiro que usa aguilhões para domá-lo. Agora surge a pergunta: “Quais eram esses aguilhões, contra os quais Saulo estava lutando”?
1) Um aguilhão eram as suas dúvidas. Saulo havia sido educado em Jerusalém aos pés de Gamaliel, provavelmente o professor mais celebrado do primeiro século da era cristã. Assim, teologicamente, Saulo tinha um excelente conhecimento do judaísmo e, moralmente, era zeloso da lei de Deus. De sã consciência, ele estava convencido que Jesus de Nazaré, não era o Messias. Para ele, era inconcebível que o Messias judeu pudesse ser rejeitado por seu próprio povo e então morrer, sob a maldição de Deus, uma vez que estava escrito na lei: “ qualquer que for pendurado no madeiro, está debaixo da maldição de Deus”(Dt 21.23). Não, não. Jesus deve ser um impostor.
Desse modo, ele começa a se opor a Jesus de Nazaré e a perseguir os cristãos. Essa era a sua convicção. No entanto, inconscientemente sua mente estava repleta de dúvidas, por causa dos rumores que circulavam acerca de Jesus: a beleza e a autoridade do seu ensino, a humildade e a mansidão de seu caráter, seus feitos poderosos de cura, e em especial, o rumor persistente que sua morte não havia sido o fim, pois algumas pessoas diziam que o haviam visto e tocado, e conversado com Ele após sua ressurreição. A mente de Saulo estava em desordem.
2) Outro aguilhão foi Estevão. Este fato “atormentava” sua mente. Saulo estava presente no julgamento e execução de Estevão. Ele havia visto com seus próprios olhos o rosto resplandecente de Estevão, como o de um anjo (At 6.15), e sua corajosa não-resistência enquanto era apedrejado até a morte (At 7.58-60). Ele havia ouvido, com seus próprios ouvidos, a defesa eloqüente de Estevão diante do Sinédrio, sua oração pedindo perdão aos executores, e sua afirmação extraordinária sobre a visão de Jesus como Filho do homem, em pé à destra de Deus (At 7.56). Portanto, Saulo não podia esquecer o testemunho de Estevão. Havia algo inexplicável naqueles cristãos, algo sobrenatural.
Se a conversão de Paulo não foi repentina, também não foi compulsiva. Cristo falou com ele em vez de esmagá-lo. Cristo o jogou ao chão, mas não violentou sua personalidade. Sua conversão não foi um transe hipnótico. Jesus apelou para sua razão e para o seu entendimento. Pelo contrário, Jesus lhe fez uma pergunta penetrante: “Saulo, Saulo, por que me persegues”? Saulo respondeu: “Quem és tu, Senhor”? Jesus respondeu: “Eu sou Jesus, a quem tu persegues”. Jesus ordenou: “Mas levanta-te” e Paulo prontamente obedeceu. A resposta e a obediência de Saulo foram racionais, conscientes e livres.
Portanto, esta maravilhosa graça não anula a responsabilidade humana. Jesus “picou” a mente e a consciência de Saulo com seus aguilhões. Então se revelou através da luz e da voz, não para esmagá-lo, mas salvá-lo. A graça divina não atropela a personalidade humana. Ela não aprisiona. É o pecado que prende. A graça liberta. Amém!
Lucas, fica tão impressionado com a importância dessa conversão, que a relata três vezes, uma vez, em sua própria narrativa, e duas nos discursos de Paulo (At 9, 22, 26).
Se perguntarmos o que causou a conversão de Saulo, só existe uma resposta possível. O que sobressai na narrativa é a graça soberana de Deus através de Jesus Cristo. Saulo não se “decidiu por Cristo”, como poderíamos dizer. Pelo contrário, ele estava perseguindo a Cristo. É melhor dizer que Cristo se decidiu por ele e interveio em sua vida.
Devemos nos lembrar que Lucas menciona Saulo como um feroz adversário de Cristo e sua igreja. Ele nos conta que, no martírio de Estevão, “as testemunhas deixaram suas vestes aos pés de um jovem chamado Saulo” (At 7.58), depois diz que “Saulo consentia na sua morte” (At 8.1) e que, em seguida, “Saulo assolava a igreja” (At 8.3), procurando cristãos casa por casa, arrastando homens e mulheres para a prisão. No texto de Atos 9.1, Lucas resume a história dizendo que Saulo estava “respirando ainda ameaças de morte contra os discípulos do Senhor”.
Quando atentamos para a riqueza e a profundidade das línguas originais ficamos perplexos, pois os termos que Lucas usa para se referir a Saulo antes da sua conversão parecem ser deliberadamente escolhidos para retratá-lo como “um animal selvagem e feroz”. O verbo “lymainomai”, cuja única ocorrência no N.T se encontra em Atos 8.3, em referência à “destruição” que Saulo causou à igreja, é empregado no Salmo 80.13 [na Septuaginta], em relação a animais selvagens destruindo uma vinha; o seu sentido específico é “destruição de um corpo por um animal selvagem”.
Mais tarde, os cristãos de Damasco o descreveram como aquele que tinha causado um “extermínio em Jerusalém” (At 9.21), onde o verbo empregado é “portheo”, que significa “destruir, assolar, espancar” que também aparece no texto de Gl 1.13. Continuando a mesma imagem, o erudito J.A. Alexander sugere que a menção de Saulo “respirando ameaças e morte” (At 9.1) era uma “alusão ao arfar e ao bufar dos animais selvagens”. Portanto era esse o homem (mais animal selvagem do que ser humano) que em poucos dias seria um cristão convertido e batizado.
No inicio eu disse que a resposta à conversão de Saulo foi a maravilhosa graça de Deus. Paulo sempre mencionou que Deus tomou a iniciativa de salvá-lo conforme sua vontade soberana (Gl 1.15,16). E além disso Paulo ilustrou essa verdade com pelo menos três imagens dramáticas.
Em primeiro lugar, Cristo o conquistou (Fp 3.12), o verbo “katalambano” dando a idéia que Cristo o “capturou” antes que tivesse a oportunidade de capturar algum cristão em Damasco.
Em segundo lugar, ele comparou sua iluminação interior com a ordem criadora “Haja luz” (Gn 1.3) ou “das trevas resplandecerá a luz” (II Co 4.6).
Em terceiro lugar, ele escreveu que a graça de Deus “transbordou” sobre ele, como um rio em época de cheia, inundando seu coração com fé e amor (I Tm 1.14). Assim a graça de Deus o capturou, iluminou seu coração e o inundou como uma enchente.
Agora devemos atentar para um fato importante – a conversão de Saulo não foi de maneira nenhuma uma conversão repentina. A intervenção de Deus foi repentina: “Subitamente uma luz do céu brilhou ao seu redor” (vs. 3). De acordo com a própria narrativa de Paulo, Jesus lhe disse: “Dura coisa é recalcitrares contra os aguilhões” (At 26.14). Jesus comparou Saulo a um touro jovem, forte e obstinado, e a si mesmo [Deus] a um fazendeiro que usa aguilhões para domá-lo. Agora surge a pergunta: “Quais eram esses aguilhões, contra os quais Saulo estava lutando”?
1) Um aguilhão eram as suas dúvidas. Saulo havia sido educado em Jerusalém aos pés de Gamaliel, provavelmente o professor mais celebrado do primeiro século da era cristã. Assim, teologicamente, Saulo tinha um excelente conhecimento do judaísmo e, moralmente, era zeloso da lei de Deus. De sã consciência, ele estava convencido que Jesus de Nazaré, não era o Messias. Para ele, era inconcebível que o Messias judeu pudesse ser rejeitado por seu próprio povo e então morrer, sob a maldição de Deus, uma vez que estava escrito na lei: “ qualquer que for pendurado no madeiro, está debaixo da maldição de Deus”(Dt 21.23). Não, não. Jesus deve ser um impostor.
Desse modo, ele começa a se opor a Jesus de Nazaré e a perseguir os cristãos. Essa era a sua convicção. No entanto, inconscientemente sua mente estava repleta de dúvidas, por causa dos rumores que circulavam acerca de Jesus: a beleza e a autoridade do seu ensino, a humildade e a mansidão de seu caráter, seus feitos poderosos de cura, e em especial, o rumor persistente que sua morte não havia sido o fim, pois algumas pessoas diziam que o haviam visto e tocado, e conversado com Ele após sua ressurreição. A mente de Saulo estava em desordem.
2) Outro aguilhão foi Estevão. Este fato “atormentava” sua mente. Saulo estava presente no julgamento e execução de Estevão. Ele havia visto com seus próprios olhos o rosto resplandecente de Estevão, como o de um anjo (At 6.15), e sua corajosa não-resistência enquanto era apedrejado até a morte (At 7.58-60). Ele havia ouvido, com seus próprios ouvidos, a defesa eloqüente de Estevão diante do Sinédrio, sua oração pedindo perdão aos executores, e sua afirmação extraordinária sobre a visão de Jesus como Filho do homem, em pé à destra de Deus (At 7.56). Portanto, Saulo não podia esquecer o testemunho de Estevão. Havia algo inexplicável naqueles cristãos, algo sobrenatural.
Se a conversão de Paulo não foi repentina, também não foi compulsiva. Cristo falou com ele em vez de esmagá-lo. Cristo o jogou ao chão, mas não violentou sua personalidade. Sua conversão não foi um transe hipnótico. Jesus apelou para sua razão e para o seu entendimento. Pelo contrário, Jesus lhe fez uma pergunta penetrante: “Saulo, Saulo, por que me persegues”? Saulo respondeu: “Quem és tu, Senhor”? Jesus respondeu: “Eu sou Jesus, a quem tu persegues”. Jesus ordenou: “Mas levanta-te” e Paulo prontamente obedeceu. A resposta e a obediência de Saulo foram racionais, conscientes e livres.
Portanto, esta maravilhosa graça não anula a responsabilidade humana. Jesus “picou” a mente e a consciência de Saulo com seus aguilhões. Então se revelou através da luz e da voz, não para esmagá-lo, mas salvá-lo. A graça divina não atropela a personalidade humana. Ela não aprisiona. É o pecado que prende. A graça liberta. Amém!
O Espírito Santo na vida de Sansão e seus simbolismos
Jz 13. 24 Depois teve esta mulher um filho, a quem pôs o nome de Sansão; e o menino cresceu, e o Senhor o abençoou.
1. NASCEU – Símbolo da experiência do novo nascimento
2. CRESCEU – Aponta para a necessidade do crescimento, do desenvolvimento espiritual.
3. O SENHOR O ABENÇOOU – A benção de Deus, quando devidamente cultivada, conduz o cristão a um estágio de maturidade.
Jz 13.25 E o Espírito do Senhor começou a incitá-lo em Maané-Dã, entre Zorá e Estaol.
1. O ESPIRITO DO SENHOR – Embora muito distante de Sua plena atuação, reservada para a Dispensação da Graça, o Espírito Santo se manifestava ocasionalmente sobre algumas vidas.
2. COMEÇOU – Existe um dia em que o Espírito começa a atuar decisivamente em nossas vidas. Não podemos desprezar essa singular ocasião.
3. A IMPELIR – O Espírito atuou como força motriz na vida de Sansão. Foi assim também na vida dos crentes da Igreja Primitiva. Deve continuar a ser até a vinda de Cristo.
4. PARA O CAMPO – Jesus disse que devemos levantar nossos olhos e contemplar os campos que estão brancos para a ceifa, Jo 4.35.
5. DE DÃ – Dã significa juiz. A obra do Calvário nos permitiu alcançar plena justificação, decreta pelo Pai, o Juiz de toda a terra.
Jz 14. 6 Então o Espírito do Senhor se apossou dele, de modo que ele, sem ter coisa alguma na mão, despedaçou o leão como se fosse um cabrito. E não disse nem a seu pai nem a sua mãe o que tinha feito.
1. O ESPIRITO DO SENHOR SE APOSSOU DELE – Quantas vezes quisemos nos apoderar do Espírito Santo! Sempre resultou vão qualquer esforço. Esperemos que Ele se aposse de nós.
2. SEM TER COISA ALGUMA NA MÃO – evitemos superestimar aquilo que temos ou que somos, permitindo que toda a glória de nossa sucesso seja permanentemente atribuída ao Senhor.
3. DESPEDAÇOU O LEÃO COMO SE FOSSE UM CABRITO – Quando atuamos com nossas próprias forças, cada cabrito que enfrentamos parece um leão. Quando trabalhamos na força do Espírito, o leão não passa de um cabrito.
4. NÃO DISSE NEM A SEU PAI NEM A SUA MAE…– Salomão declarou que “a glória de Deus é encobrir o negócio”. Bem-aventurados aqueles que não tocam trombetas em torno de suas próprias realizações. “Louvem-te os lábios estranhos e não o teu próprio”.
Jz 14. 19 Então o Espírito do Senhor se apossou dele, de modo que desceu a Asquelom, matou trinta dos seus homens e, tomando as suas vestes, deu-as aos que declararam o enigma; e, ardendo em ira, subiu à casa de seu pai.
1. SE APOSSOU DELE – aqui temos a simbologia da renovação, quando a operação de Deus em nossa vida volta a acontecer “como no princípio”.
2. DE MODO QUE DESCEU A ASQUELOM – Devemos subir para nos encontrarmos com o Senhor e em seguida devemos descer, a fim de lutar contra o nosso inimigo.
3. MATOU TRINTA DE SEUS HOMENS – Precisamos aprender a partir de números modestos. Temos que subir a escada de Jacó. Temos que praticar bem, para que se agigantem nossas vitórias.
Jz 15. 14 Quando ele chegou a Leí, os filisteus lhe saíram ao encontro, jubilando. Então o [Espírito] do Senhor se apossou dele, e as cordas que lhe ligavam os braços se tornaram como fios de linho que estão queimados do fogo, e as suas amarraduras se desfizeram das suas mãos.
1. QUANDO CHEGOU A LEÍ OS FILISTEUS SAIRAM AO SEU ENCONTRO JUBILANDO . Constitui grave perigo desejar o aplauso do mundo. “Aqueles que querem viver piamente em Cristo padecerão perseguições.”. Um dia Deus permite que os inimigos zombem de nós, mas no dia seguinte Deus mesmo se rirá deles, através de nossa vitória.
2. O ESPIRITO SE APOSSOU DELE – Permita que a unção e a virtude do Espírito sejam normais em sua vida!
3. AS CORDAS QUE O ATAVAM FORAM ROMPIDAS – Deus aumente a nossa, a fim de crermos com confiança que TODAS as cordas que nos amarram (tristeza, ressentimento, displicência, desmotivação, etc., sejam totalmente rompidas.
4. AS AMARRADURAS FORAM DESFEITAS – Os homens de Leí planejaram a destruição de Sansão, mas ela não aconteceu porque o Espírito Santo esteve sobre ele. Que o mesmo Espírito desfaça todas as nossas amarraduras, para a glória de Deus.
1. NASCEU – Símbolo da experiência do novo nascimento
2. CRESCEU – Aponta para a necessidade do crescimento, do desenvolvimento espiritual.
3. O SENHOR O ABENÇOOU – A benção de Deus, quando devidamente cultivada, conduz o cristão a um estágio de maturidade.
Jz 13.25 E o Espírito do Senhor começou a incitá-lo em Maané-Dã, entre Zorá e Estaol.
1. O ESPIRITO DO SENHOR – Embora muito distante de Sua plena atuação, reservada para a Dispensação da Graça, o Espírito Santo se manifestava ocasionalmente sobre algumas vidas.
2. COMEÇOU – Existe um dia em que o Espírito começa a atuar decisivamente em nossas vidas. Não podemos desprezar essa singular ocasião.
3. A IMPELIR – O Espírito atuou como força motriz na vida de Sansão. Foi assim também na vida dos crentes da Igreja Primitiva. Deve continuar a ser até a vinda de Cristo.
4. PARA O CAMPO – Jesus disse que devemos levantar nossos olhos e contemplar os campos que estão brancos para a ceifa, Jo 4.35.
5. DE DÃ – Dã significa juiz. A obra do Calvário nos permitiu alcançar plena justificação, decreta pelo Pai, o Juiz de toda a terra.
Jz 14. 6 Então o Espírito do Senhor se apossou dele, de modo que ele, sem ter coisa alguma na mão, despedaçou o leão como se fosse um cabrito. E não disse nem a seu pai nem a sua mãe o que tinha feito.
1. O ESPIRITO DO SENHOR SE APOSSOU DELE – Quantas vezes quisemos nos apoderar do Espírito Santo! Sempre resultou vão qualquer esforço. Esperemos que Ele se aposse de nós.
2. SEM TER COISA ALGUMA NA MÃO – evitemos superestimar aquilo que temos ou que somos, permitindo que toda a glória de nossa sucesso seja permanentemente atribuída ao Senhor.
3. DESPEDAÇOU O LEÃO COMO SE FOSSE UM CABRITO – Quando atuamos com nossas próprias forças, cada cabrito que enfrentamos parece um leão. Quando trabalhamos na força do Espírito, o leão não passa de um cabrito.
4. NÃO DISSE NEM A SEU PAI NEM A SUA MAE…– Salomão declarou que “a glória de Deus é encobrir o negócio”. Bem-aventurados aqueles que não tocam trombetas em torno de suas próprias realizações. “Louvem-te os lábios estranhos e não o teu próprio”.
Jz 14. 19 Então o Espírito do Senhor se apossou dele, de modo que desceu a Asquelom, matou trinta dos seus homens e, tomando as suas vestes, deu-as aos que declararam o enigma; e, ardendo em ira, subiu à casa de seu pai.
1. SE APOSSOU DELE – aqui temos a simbologia da renovação, quando a operação de Deus em nossa vida volta a acontecer “como no princípio”.
2. DE MODO QUE DESCEU A ASQUELOM – Devemos subir para nos encontrarmos com o Senhor e em seguida devemos descer, a fim de lutar contra o nosso inimigo.
3. MATOU TRINTA DE SEUS HOMENS – Precisamos aprender a partir de números modestos. Temos que subir a escada de Jacó. Temos que praticar bem, para que se agigantem nossas vitórias.
Jz 15. 14 Quando ele chegou a Leí, os filisteus lhe saíram ao encontro, jubilando. Então o [Espírito] do Senhor se apossou dele, e as cordas que lhe ligavam os braços se tornaram como fios de linho que estão queimados do fogo, e as suas amarraduras se desfizeram das suas mãos.
1. QUANDO CHEGOU A LEÍ OS FILISTEUS SAIRAM AO SEU ENCONTRO JUBILANDO . Constitui grave perigo desejar o aplauso do mundo. “Aqueles que querem viver piamente em Cristo padecerão perseguições.”. Um dia Deus permite que os inimigos zombem de nós, mas no dia seguinte Deus mesmo se rirá deles, através de nossa vitória.
2. O ESPIRITO SE APOSSOU DELE – Permita que a unção e a virtude do Espírito sejam normais em sua vida!
3. AS CORDAS QUE O ATAVAM FORAM ROMPIDAS – Deus aumente a nossa, a fim de crermos com confiança que TODAS as cordas que nos amarram (tristeza, ressentimento, displicência, desmotivação, etc., sejam totalmente rompidas.
4. AS AMARRADURAS FORAM DESFEITAS – Os homens de Leí planejaram a destruição de Sansão, mas ela não aconteceu porque o Espírito Santo esteve sobre ele. Que o mesmo Espírito desfaça todas as nossas amarraduras, para a glória de Deus.
4 grandes verdades sobre o Verbo de Deus
“No principio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. [...] E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade; e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai” (Jo 1.1,14)
O apóstolo João, mais do que outros evangelistas, falou-nos acerca da divindade de Jesus Cristo. No prólogo de seu evangelho, já traçou o rumo de sua obra: “No principio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus” (Jo 1.1). Depois de falar que esse Verbo foi o agente criador e também o doador da vida, anuncia de forma esplêndida: “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade; e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai” (Jo 1.14).
Jesus é a suprema e final manifestação de Deus. Ele é a exegese de Deus. Ele é a interpretação perfeita de Deus. Veremos a seguir as 4 grandes verdades deste Verbo de Deus:
1) A eternidade do Verbo (Jo 1.1) “No principio era o Verbo…”. Quando tudo teve o seu começo, o Verbo estava lá, não como alguém que passou a existir, mas como o agente de tudo o que veio à existência. O Verbo não foi causado; Ele é a causa de tudo que existe. O Verbo não foi criado antes de todas as coisas; ele é o Criador do universo no principio (Jo 1.3). Ora, se antes do principio descortinava-se a eternidade, e se o Verbo já existia antes do começo de tudo, o Verbo é eterno. A eternidade é um atributo exclusivo de Deus. Só Deus é eterno.
2) A personalidade do Verbo (Jo 1.1) “…e o Verbo estava com Deus…”. No principio, o Verbo estava em total e perfeita comunhão com Deus. A expressão grega pros ton Theon traz a idéia de que o Verbo estava face a face com Deus. Como Deus é uma pessoa, e não uma energia, o Verbo também é uma pessoa. O Verbo é Jesus, a segunda pessoa da Trindade. Isso significa que, antes da encarnação do Verbo, Ele já existia, desde toda a eternidade, e em plena comunhão com o Pai.
Jesus não passou a existir depois que nasceu em Belém. Ele é o Pai da Eternidade. O Verbo é o Filho; e Pai e Filho têm perfeita comunhão desde a eternidade. Embora sejam pessoas distintas, são um só Deus, da mesma essência e substância.
3) A divindade do Verbo (Jo 1.1) “…e o Verbo era Deus”. O Verbo não é apenas eterno e pessoal, mas também divino. Ele é Deus. Ele é a causa não causada. Ele é a origem de todas as coisas. Ele é o criador do universo. Ele é o Verbo, ou seja, o agente criador de tudo o que existe, das coisas visíveis e invisíveis. O Deus único e verdadeiro constitui-se em três pessoas distintas, porém iguais, da mesma essência e substância. O Verbo não é uma criatura, mas o criador. Ele não é um ser inferior a Deus, mas o próprio Deus.
Jesus não é uma criatura intermediária entre Deus e o homem. Ele é perfeitamente Deus e perfeitamente homem. Ele não deixou de ser Deus ao assumir a forma humana, e não deixou de ser homem ao retornar à glória que tinha junto do Pai.
4) A encarnação do Verbo (Jo 1.14) – “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, [...] como a glória do unigênito do Pai”. Aqui está o sublime mistério da encarnação: o eterno entrou no tempo. O transcendente tornou-se imanente. Aquele que nem o céu dos céus pode contê-lo foi enfaixado em panos e deitado numa manjedoura.
Deus se fez homem, o Senhor dos senhores se fez servo. Aquele que é santo, santo, santo se fez pecado por nós; Aquele que é exaltado acima dos querubins, assumiu o nosso lugar, como nosso fiador, fez-se maldição por nós e sorveu sozinho o cálice amargo da ira de Deus, morrendo morte de cruz, para nos dar a vida eterna. Jesus veio nos revelar de forma eloqüente o amor de Deus!
O apóstolo João, mais do que outros evangelistas, falou-nos acerca da divindade de Jesus Cristo. No prólogo de seu evangelho, já traçou o rumo de sua obra: “No principio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus” (Jo 1.1). Depois de falar que esse Verbo foi o agente criador e também o doador da vida, anuncia de forma esplêndida: “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade; e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai” (Jo 1.14).
Jesus é a suprema e final manifestação de Deus. Ele é a exegese de Deus. Ele é a interpretação perfeita de Deus. Veremos a seguir as 4 grandes verdades deste Verbo de Deus:
1) A eternidade do Verbo (Jo 1.1) “No principio era o Verbo…”. Quando tudo teve o seu começo, o Verbo estava lá, não como alguém que passou a existir, mas como o agente de tudo o que veio à existência. O Verbo não foi causado; Ele é a causa de tudo que existe. O Verbo não foi criado antes de todas as coisas; ele é o Criador do universo no principio (Jo 1.3). Ora, se antes do principio descortinava-se a eternidade, e se o Verbo já existia antes do começo de tudo, o Verbo é eterno. A eternidade é um atributo exclusivo de Deus. Só Deus é eterno.
2) A personalidade do Verbo (Jo 1.1) “…e o Verbo estava com Deus…”. No principio, o Verbo estava em total e perfeita comunhão com Deus. A expressão grega pros ton Theon traz a idéia de que o Verbo estava face a face com Deus. Como Deus é uma pessoa, e não uma energia, o Verbo também é uma pessoa. O Verbo é Jesus, a segunda pessoa da Trindade. Isso significa que, antes da encarnação do Verbo, Ele já existia, desde toda a eternidade, e em plena comunhão com o Pai.
Jesus não passou a existir depois que nasceu em Belém. Ele é o Pai da Eternidade. O Verbo é o Filho; e Pai e Filho têm perfeita comunhão desde a eternidade. Embora sejam pessoas distintas, são um só Deus, da mesma essência e substância.
3) A divindade do Verbo (Jo 1.1) “…e o Verbo era Deus”. O Verbo não é apenas eterno e pessoal, mas também divino. Ele é Deus. Ele é a causa não causada. Ele é a origem de todas as coisas. Ele é o criador do universo. Ele é o Verbo, ou seja, o agente criador de tudo o que existe, das coisas visíveis e invisíveis. O Deus único e verdadeiro constitui-se em três pessoas distintas, porém iguais, da mesma essência e substância. O Verbo não é uma criatura, mas o criador. Ele não é um ser inferior a Deus, mas o próprio Deus.
Jesus não é uma criatura intermediária entre Deus e o homem. Ele é perfeitamente Deus e perfeitamente homem. Ele não deixou de ser Deus ao assumir a forma humana, e não deixou de ser homem ao retornar à glória que tinha junto do Pai.
4) A encarnação do Verbo (Jo 1.14) – “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, [...] como a glória do unigênito do Pai”. Aqui está o sublime mistério da encarnação: o eterno entrou no tempo. O transcendente tornou-se imanente. Aquele que nem o céu dos céus pode contê-lo foi enfaixado em panos e deitado numa manjedoura.
Deus se fez homem, o Senhor dos senhores se fez servo. Aquele que é santo, santo, santo se fez pecado por nós; Aquele que é exaltado acima dos querubins, assumiu o nosso lugar, como nosso fiador, fez-se maldição por nós e sorveu sozinho o cálice amargo da ira de Deus, morrendo morte de cruz, para nos dar a vida eterna. Jesus veio nos revelar de forma eloqüente o amor de Deus!
Dar-te-ei Dois Mil Cavalos
A) O Intervalo entre a Promessa e o Milagre
“Dar-te-ei dois mil cavalos se tu preparares dois mil cavaleiros para eles” (IsaÍas 36:8).
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(Fonética: “Vê-Etenâh lê-Há alpâim sussîm, im-tuHal latét lê-Há rêHavim aleihêm”).
Há um verdadeiro treinamento de fé no espaço ou intervalo entre a promessa e o milagre, o acontecer daquilo que foi prometido. O primeiro exemplo bíblico está na vida de Abraão. Deus o chama de Ur dos Caldeus, da sua terra e parentela e lhe faz promessa. Ele pronta e fielmente obedece. No verso 4 do capítulo 12 de Gênesis, lemos: “Assim partiu, como o Senhor lhe tinha dito, e foi Ló com ele; e era Abrão da idade de 75 anos, quando saiu de Harã”. A inquietude que sempre mexia no coração de Abraão era o fato de não ter herdeiro e, por consegüinte, já esboçava uma solução: “Eis que não me tens dado semente, e eis que um nascido na minha casa será o meu herdeiro”, Gênesis 15:1-3. Deus prontamente apresenta-lhe a solução: “mas aquele que de ti será gerado, esse será o herdeiro”(v.4).
02. Os anos se passaram, 24 anos e o capítulo 17:1 mostra que o Patriarca já estava com 99 anos de idade. Nesse capítulo vem, novamente, a reafirmação do nascimento do seu filho prometido. Como é sabido, Deus age no seu tempo. Em hebraico, o tempo comum, é ‘zêmânn’; mas o tempo de Deus é “ét”, ou seja, na ‘estação de Deus’ como o exemplo de Gênesis 18:14 – “Ao tempo (“ét”) determinado”.
03. Entre a promessa e o cumprimento da mesma na vida de Abrão e Sarai, muitas coisas aconteceram, como a precipitação de Sarai (Sara), em Gênesis 16:2-4, dando Agar como solução da promessa de um filho; os nomes de ambos são mudados para os novos projetos de Deus (cap.17:5 e 15), pois no intervalo para o homem, Deus sempre está trabalhando para cumprimento do seu propósito.
04. O caso de José é o segundo forte exemplo de treinamento de fé entre a promessa e o milagre. No coração de José havia muitos sonhos e projetos e, na “estação de Deus”, tudo aconteceria! O degrau para ele seria: escravidão, prisão e trono. Como herói sonhador passa por duras provas. O Salmo 105:17 resume: “Mandou diante deles um varão que foi vendido por escravo: José, cujos pés apertaram com grilhões e a quem puseram em ferros”.
05. O terceiro exemplo é o de Davi. Desde que matou Golias, ainda muito novo, não teve mais sossego e, dia e noite, era cruelmente perseguido pelo rei Saul. Humanamente falando, vivia a um passo da morte (I Samuel 20:3-b). Tornou-se vil aos olhos do seu rei como “cão morto” ou “pulga” (I Samuel 24:14).
06. Deus sabe como treinar os seus vasos prestes a tomar posse de uma bênção especial, de um milagre. Isaque esperou 20 anos para ser pai (Gênesis 25:20 e 26); Calebe soube esperar em fé por 45 anos para tomar posse da sua bênção (Josué 14:10). Paulo pode dizer antes de Filipenses 4:13 ( “Posso”) – “Já sei”, “aprendi” e “estou instruído” (versos 11 e 12).
07. Creia que o milagre vai acontecer! Para Deus, já aconteceu; para a fé confiante que espera em “expectativa de fé” (Salmo 40:1, esperar (heb), ‘lekevot’ – esperar em expectativa de fé), tudo está sob o comando de Deus.
B) DAR-TE-EI DOIS MIL CAVALOS
08. No texto de Isaías 36:8, há o desafio que vem em forma de barganha por parte do poderoso exército da Assíria: “Dar-te-ei dois mil cavalos se puderes achar cavaleiros para montar”. O rei Ezequias deveria fazer montar neles dois mil soldados. Certamente, havia soldados, contudo, não estavam preparados para a luta, para o combate. Não havia dois mil homens que pudessem guerrear cavalgando. Não estavam preparados para isso mesmo com os cavalos belicamente selados.
09. A lição para nós hoje é: “Se você aprender a montar, Deus lhe dará um cavalo”; “Se você se preparar para a promessa, Ele a tornará real para você! Prepare-se para “montar” na sua bênção, para tomar posse daquilo que Deus lhe tem prometido, pois fiel é o que prometeu e, “na estação de Deus”, acontecerá, “pois o choro pode durar a noite inteira (longo ou curto intervalo), mas a alegria vem pela manhã” (Salmo 30:5).
10. Prepare-se para a montaria em fé, oração e ação! O cavalo passará selado à sua frente, pronto para ser montado.
“Dar-te-ei dois mil cavalos se tu preparares dois mil cavaleiros para eles” (IsaÍas 36:8).
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(Fonética: “Vê-Etenâh lê-Há alpâim sussîm, im-tuHal latét lê-Há rêHavim aleihêm”).
Há um verdadeiro treinamento de fé no espaço ou intervalo entre a promessa e o milagre, o acontecer daquilo que foi prometido. O primeiro exemplo bíblico está na vida de Abraão. Deus o chama de Ur dos Caldeus, da sua terra e parentela e lhe faz promessa. Ele pronta e fielmente obedece. No verso 4 do capítulo 12 de Gênesis, lemos: “Assim partiu, como o Senhor lhe tinha dito, e foi Ló com ele; e era Abrão da idade de 75 anos, quando saiu de Harã”. A inquietude que sempre mexia no coração de Abraão era o fato de não ter herdeiro e, por consegüinte, já esboçava uma solução: “Eis que não me tens dado semente, e eis que um nascido na minha casa será o meu herdeiro”, Gênesis 15:1-3. Deus prontamente apresenta-lhe a solução: “mas aquele que de ti será gerado, esse será o herdeiro”(v.4).
02. Os anos se passaram, 24 anos e o capítulo 17:1 mostra que o Patriarca já estava com 99 anos de idade. Nesse capítulo vem, novamente, a reafirmação do nascimento do seu filho prometido. Como é sabido, Deus age no seu tempo. Em hebraico, o tempo comum, é ‘zêmânn’; mas o tempo de Deus é “ét”, ou seja, na ‘estação de Deus’ como o exemplo de Gênesis 18:14 – “Ao tempo (“ét”) determinado”.
03. Entre a promessa e o cumprimento da mesma na vida de Abrão e Sarai, muitas coisas aconteceram, como a precipitação de Sarai (Sara), em Gênesis 16:2-4, dando Agar como solução da promessa de um filho; os nomes de ambos são mudados para os novos projetos de Deus (cap.17:5 e 15), pois no intervalo para o homem, Deus sempre está trabalhando para cumprimento do seu propósito.
04. O caso de José é o segundo forte exemplo de treinamento de fé entre a promessa e o milagre. No coração de José havia muitos sonhos e projetos e, na “estação de Deus”, tudo aconteceria! O degrau para ele seria: escravidão, prisão e trono. Como herói sonhador passa por duras provas. O Salmo 105:17 resume: “Mandou diante deles um varão que foi vendido por escravo: José, cujos pés apertaram com grilhões e a quem puseram em ferros”.
05. O terceiro exemplo é o de Davi. Desde que matou Golias, ainda muito novo, não teve mais sossego e, dia e noite, era cruelmente perseguido pelo rei Saul. Humanamente falando, vivia a um passo da morte (I Samuel 20:3-b). Tornou-se vil aos olhos do seu rei como “cão morto” ou “pulga” (I Samuel 24:14).
06. Deus sabe como treinar os seus vasos prestes a tomar posse de uma bênção especial, de um milagre. Isaque esperou 20 anos para ser pai (Gênesis 25:20 e 26); Calebe soube esperar em fé por 45 anos para tomar posse da sua bênção (Josué 14:10). Paulo pode dizer antes de Filipenses 4:13 ( “Posso”) – “Já sei”, “aprendi” e “estou instruído” (versos 11 e 12).
07. Creia que o milagre vai acontecer! Para Deus, já aconteceu; para a fé confiante que espera em “expectativa de fé” (Salmo 40:1, esperar (heb), ‘lekevot’ – esperar em expectativa de fé), tudo está sob o comando de Deus.
B) DAR-TE-EI DOIS MIL CAVALOS
08. No texto de Isaías 36:8, há o desafio que vem em forma de barganha por parte do poderoso exército da Assíria: “Dar-te-ei dois mil cavalos se puderes achar cavaleiros para montar”. O rei Ezequias deveria fazer montar neles dois mil soldados. Certamente, havia soldados, contudo, não estavam preparados para a luta, para o combate. Não havia dois mil homens que pudessem guerrear cavalgando. Não estavam preparados para isso mesmo com os cavalos belicamente selados.
09. A lição para nós hoje é: “Se você aprender a montar, Deus lhe dará um cavalo”; “Se você se preparar para a promessa, Ele a tornará real para você! Prepare-se para “montar” na sua bênção, para tomar posse daquilo que Deus lhe tem prometido, pois fiel é o que prometeu e, “na estação de Deus”, acontecerá, “pois o choro pode durar a noite inteira (longo ou curto intervalo), mas a alegria vem pela manhã” (Salmo 30:5).
10. Prepare-se para a montaria em fé, oração e ação! O cavalo passará selado à sua frente, pronto para ser montado.
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